Desemprego cai para 5,2% e atinge menor taxa para setembro desde 2012

Dados do IBGE mostram recorde de 103,6 milhões de brasileiros ocupados; construção civil liderou a geração de vagas, enquanto renda média ficou estável

Desemprego cai para 5,2% e atinge menor taxa para setembro desde 2012

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, atingindo o menor patamar para esse período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), em 2012.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa uma redução em relação aos 5,4% registrados no trimestre encerrado em junho e ficou em linha com as expectativas dos analistas do mercado financeiro.

Além da queda no desemprego, o país alcançou um novo recorde no número de pessoas ocupadas, com 103,6 milhões de trabalhadores.

Apesar dos indicadores positivos, os dados também mostram sinais de desaceleração nas contratações, especialmente fora do setor da construção civil. Folha de S.Paulo

Brasil registra 5,6 milhões de desempregados

Segundo o IBGE, aproximadamente 5,6 milhões de brasileiros estavam desempregados no trimestre encerrado em setembro.

O número representa uma redução de 234 mil pessoas em comparação com o trimestre encerrado em junho, quando o país contabilizava cerca de 5,9 milhões de desempregados.

A queda corresponde a aproximadamente 4% no período.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, quando a taxa de desemprego estava em 5,6%, também houve melhora.

Os resultados mostram a continuidade da redução do desemprego observada nos últimos anos, embora o ritmo de crescimento das contratações apresente diferenças entre os setores econômicos.

Número de trabalhadores ocupados bate novo recorde

A população ocupada no Brasil chegou a 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente registrado desde o início da pesquisa.

O número representa um crescimento de aproximadamente 581 mil trabalhadores em relação ao trimestre encerrado em junho.

Na comparação anual, o avanço foi de cerca de 1,2 milhão de pessoas.

O resultado considera trabalhadores com carteira assinada, empregados sem registro formal, profissionais autônomos, empregadores e servidores públicos.

Apesar do recorde geral de ocupação, o número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada permaneceu relativamente estável, em aproximadamente 39,4 milhões.

A estabilidade também foi observada entre trabalhadores sem carteira, autônomos e empregados domésticos.

Construção civil lidera crescimento do emprego

Entre os dez grandes setores de atividade econômica analisados pelo IBGE, a construção civil foi o único a apresentar crescimento estatisticamente significativo no número de trabalhadores ocupados.

O setor registrou avanço de 2,8%, equivalente à entrada de aproximadamente 210 mil pessoas no mercado de trabalho.

O desempenho pode estar relacionado à continuidade de obras, investimentos imobiliários e projetos de infraestrutura.

Nos demais setores, as oscilações registradas não foram consideradas estatisticamente significativas pelo instituto.

O resultado indica que a expansão do emprego ficou concentrada em determinadas atividades, mesmo com a taxa geral de desemprego em patamar historicamente baixo.

Renda média dos trabalhadores permanece estável

Apesar do crescimento da ocupação, a renda média dos trabalhadores não apresentou variação estatisticamente significativa no trimestre.

Isso significa que o aumento no número de pessoas empregadas não foi acompanhado por uma elevação expressiva dos rendimentos individuais no período.

A estabilidade da renda é um dos fatores observados por economistas para avaliar a capacidade de consumo das famílias e a evolução do mercado de trabalho.

Quando o emprego cresce sem avanço equivalente dos salários, os efeitos sobre o consumo podem ser mais limitados.

Ainda assim, o aumento da população ocupada contribui para ampliar a quantidade de pessoas com alguma fonte de rendimento.

Eleições podem ter influenciado ritmo das contratações

O IBGE também chamou atenção para a possibilidade de que o período eleitoral tenha influenciado decisões de contratação.

Segundo William Kratochwill, analista da Pnad Contínua, o trimestre encerrado em setembro costuma apresentar crescimento da ocupação.

Entretanto, a proximidade das eleições pode ter levado empresas e outros agentes econômicos a adiar decisões de expansão.

Essa hipótese ajuda a explicar por que o crescimento significativo do emprego ficou concentrado na construção civil.

A avaliação não significa que as eleições tenham sido comprovadamente responsáveis pela desaceleração, mas aponta um possível fator de cautela entre os empregadores.

Juros elevados seguem como desafio para o mercado de trabalho

Economistas também acompanham os efeitos dos juros elevados sobre a atividade econômica brasileira.

Taxas de financiamento mais altas podem dificultar investimentos, reduzir a demanda por crédito e influenciar decisões de contratação.

Embora o mercado de trabalho continue apresentando indicadores positivos, a estabilidade do emprego em vários setores sugere que as empresas estão adotando uma postura mais cautelosa.

O desempenho dos próximos meses será importante para avaliar se a economia conseguirá manter o desemprego em níveis historicamente baixos.

Como o IBGE calcula a taxa de desemprego?

A Pnad Contínua considera desempregadas as pessoas com 14 anos ou mais que não estavam trabalhando, mas procuraram uma oportunidade e estavam disponíveis para assumir uma ocupação.

Pessoas que não trabalham e não procuram emprego não entram automaticamente na contagem de desempregados.

Por isso, a taxa de desocupação deve ser analisada em conjunto com outros indicadores, como população ocupada, participação na força de trabalho e rendimento médio.

Os dados divulgados nesta sexta-feira reforçam a melhora do mercado de trabalho brasileiro, mas também mostram que a expansão do emprego ocorre de maneira desigual entre os setores.

Da IstoÉ