Seleção brasileira registra pior desempenho entre campeões mundiais após 2022

Aproveitamento de 52,4% coloca equipe na 39ª posição entre classificados para a Copa de 2026, atrás de rivais sul-americanos

Yuichi YAMAZAKI / AFP
Carlo Ancelotti durante derrota do Brasil para o Japão Foto: Yuichi YAMAZAKI / AFP

A seleção brasileira atravessa um período de instabilidade e registra um aproveitamento de apenas 52,4% desde a Copa do Mundo de 2022.

Segundo levantamento da plataforma Superscore, este índice coloca o Brasil na 39ª posição entre as 48 seleções já classificadas para o Mundial de 2026, configurando o pior desempenho entre os países campeões mundiais.

O que aconteceu

  • O desempenho da seleção brasileira é de apenas 52,4% de aproveitamento desde 2023, o pior entre os campeões mundiais.
  • A equipe ocupa a 39ª posição entre as 48 seleções já classificadas para o Mundial de 2026, conforme levantamento.
  • A instabilidade pós-Copa inclui quatro mudanças no comando técnico e um retrospecto de 15 vitórias, 10 empates e 10 derrotas em 35 jogos.

O cenário chama atenção não só pela posição na tabela, mas pelo recorte histórico: entre os países campeões mundiais e os cabeças de chave, o Brasil aparece com o pior desempenho. No topo da lista está a Argentina, atual campeã do mundo, com 83,8% de aproveitamento no mesmo intervalo.

O rival albiceleste é seguido por seleções como Marrocos (82,4%), Espanha (81,2%) e Japão (80,2%). Na outra ponta, equipes como Gana, Paraguai e Bósnia e Herzegovina aparecem com os piores índices.

Com seus 52,4%, o Brasil figura na parte inferior da tabela, superando apenas nove seleções classificadas para o Mundial, como Escócia, Catar e Nova Zelândia.

Por que a seleção brasileira está em crise?

A campanha brasileira no ciclo pós-Copa tem sido marcada por mudanças frequentes no comando técnico e resultados oscilantes. Desde 2023, a seleção foi dirigida por quatro treinadores diferentes: Ramon Menezes (interino), Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti, que assumiu a equipe na segunda metade de 2025.

Nesse período, o Brasil disputou 35 partidas, com 15 vitórias, 10 empates e 10 derrotas. O saldo de gols também reflete a irregularidade: foram 58 marcados e 39 sofridos.

O panorama sul-americano

Entre as seleções da América do Sul, que enfrentaram adversários semelhantes no período analisado, o Brasil aparece atrás de quatro equipes:

  • Argentina – 83,8%
  • Colômbia – 66,7%
  • Equador – 56,8%
  • Uruguai – 55,3%

A posição reforça a dificuldade da seleção em manter consistência competitiva desde a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo do Catar, quando caiu para a Croácia.

Além da queda de rendimento nos amistosos e nas Eliminatórias, o Brasil teve desempenho abaixo do esperado em competições oficiais. Na Copa América de 2024, a equipe foi eliminada nas quartas de final pelo Uruguai.

Já nas Eliminatórias Sul-Americanas para o Mundial de 2026, terminou na quinta colocação, com 28 pontos, atrás de Argentina (39), Equador (29), Colômbia (28) e Uruguai (28).

O contraste com o ciclo anterior

O desempenho atual contrasta diretamente com o ciclo anterior à Copa de 2022. Sob o comando de Tite, a seleção disputou 50 jogos entre 2019 e 2022, com 37 vitórias, 10 empates e apenas duas derrotas, alcançando 80,7% de aproveitamento.

Naquele período, o Brasil foi líder das Eliminatórias, conquistou a Copa América de 2019 e terminou como vice na edição de 2021, evidenciando um nível de consistência que ainda não foi repetido no atual ciclo.

Ranking completo das seleções

Veja o ranking de aproveitamento das seleções classificadas para a Copa (2023-2026):

1º – Argentina – 83,8%
2º – Marrocos – 82,4%
3º – Espanha – 81,2%
4º – Japão – 80,2%
5º – Senegal – 75,4%
6º – Irã – 74,4%
7º – Argélia – 74%
8º – Portugal – 72,8%
9º – Inglaterra – 72,6%
10º – França – 71,9%
11º – Áustria – 70,4%
12º – Uzbequistão – 69,7%
13º – Colômbia – 66,7%
14º – Austrália – 66,7%
15º – Costa do Marfim – 66%
16º – Noruega – 65,6%
17º – Egito – 65,3%
18º – Croácia – 64,8%
19º – Coreia do Sul – 64,3%
20º – Holanda – 63,2%
21º – Alemanha – 62,4%
22º – Turquia – 62,2%
23º – Bélgica – 62%
24º – República Tcheca – 61,9%
25º – RD do Congo – 61,6%
26º – Iraque – 60,4%
27º – Tunísia – 60,1%
28º – México – 59,3%
29º – Haiti – 58,8%
30º – Suécia – 58,1%
31º – Panamá – 57,2%
32º – Canadá – 57,1%
33º – Equador – 56,8%
34º – África do Sul – 55,9%
35º – Estados Unidos – 55,8%
36º – Uruguai – 55,3%
37º – Suíça – 55%
38º – Cabo Verde – 53,2%
39º – Brasil – 52,4%
40º – Jordânia – 51,3%
41º – Nova Zelândia – 50%
42º – Arábia Saudita – 48,8%
43º – Catar – 48%
44º – Curaçau – 47,9%
45º – Escócia – 45,7%
46º – Paraguai – 43,8%
47º – Gana – 41,7%
48º – Bósnia e Herzegovina – 35,5%