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Desde março, 24 migrantes haitianos vivem em terminal de ômibus em Lima

Desde março, 24 migrantes haitianos vivem em terminal de ômibus em Lima

Liphete Vixamar, 38, posa para a foto com a sua mulher Kaline Noel, 25, e seu bebê na estação de ônibus em Lima no dia 10 de julho 2020. - AFP

A pandemia surpreendeu 24 migrantes haitianos em março, quando passaram pela capital peruana e, desde então, eles vivem em condições precárias em um terminal de ônibus interprovincial, onde nasceu um bebê.

Vindos do Chile, esses haitianos estavam indo ao Equador e depois à Colômbia para retornar ao seu país, quando foram surpreendidos em Lima pela ordem de confinamento nacional obrigatório para o coronavírus, em 16 de março.

Como não tinham onde ficar, foram autorizados a se instalar no terminal rodoviário de Civa, mas agora que o Peru retomará o transporte interprovincial de passageiros em 15 de julho, terão que deixar o complexo.

Eles não sabem o que fazer ou para onde ir, porque ficaram sem dinheiro.

“Desde o dia 16 daquele mês (março), há quatro meses, que estamos aqui, já gastamos todo o dinheiro”, contou Elena Jeune à AFP.

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Nos corredores do terminal, localizado perto do centro de Lima, eles montaram uma espécie de acampamento improvisado. Ali eles cozinham e podem usar os banheiros. Algumas instituições, como a Cruz Vermelha peruana, doaram alimentos.

O grupo de migrantes é composto por 24 homens, mulheres e crianças, incluindo um bebê que nasceu no próprio terminal de ônibus, diz Elena.

“Há também outras três mulheres grávidas, como ela, com sete meses [de gestação], e esta com quase nove meses”, diz Elena, apontando o dedo para duas companheiras de acampamaneto.

Johny, outro dos migrantes, diz que gostaria de obter uma permissão de trabalho no Peru para conseguir dinheiro para alimentar sua filha, que ele segura nos braços.

A pandemia no Peru surpreendeu mais de cem migrantes haitianos que estavam de passagem pelo país, assim como os cerca de 850.000 venezuelanos que se estabeleceram em território peruano. Alguns expressaram seu desejo de retornar à Venezuela depois de perder o emprego.

No Peru, praticamente não há migração haitiana, mas o país serve como passagem para alguns que emigraram para o Chile, onde formam a terceira comunidade estrangeira residente, formada por aproximadamente 200.000 pessoas.

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) ajudou nos últimos anos migrantes e refugiados venezuelanos que chegaram ao Peru e também os haitianos presos no país devido à pandemia.

O ACNUR e a OIM também prestaram assistência a outros migrantes haitianos que ficaram presos na cidade peruana de Tacna, na fronteira com o Chile.

O Peru registra 319.646 casos de COVID-19 e é o segundo país da América Latina com mais infecções depois do Brasil e o terceiro em mortes atrás do Brasil e do México, com 11.500 mortes.

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