Brasil

Descaso marca a volta ao trabalho

Congresso e STF voltam às sessões presenciais após seis meses de uma longa quarentena por conta da pandemia, mas muitas autoridades ainda ignoram os cuidados básicos e estão sendo contaminadas pela Covid-19

Crédito: Edilson Rodrigues

DRIVE-THRU Totens foram espalhados pelo Senado para que o voto possa acontecer até mesmo de dentro dos carros (Crédito: Edilson Rodrigues)

Depois de seis meses de sessões remotas por conta do coronavírus, o Senado, a Câmara e o Supremo Tribunal Federal (STF) começam a retomar as reuniões presenciais, mas parlamentares e autoridades demonstram que nem sempre seguem as regras determinadas pela ciência para evitar a propagação da Covid-19, como o do distanciamento social e o uso de máscaras. Assim, em função do descaso e da negligência, as mais importantes autoridades do núcleo do poder em Brasília acabaram se infectando nos últimos dias em razão das inúmeras atividades presenciais realizadas, atingindo desde o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao presidente do STF, ministro Luiz Fux. O mais alarmante é que muitas das contaminações estão ocorrendo após eventos de confraternização das autoridades para marcar a volta aos trabalhos.

O fim do home-office

O Senado voltou esta semana aos trabalhos semipresenciais em caráter experimental e os senadores estão apreensivos, temendo serem contaminados. Muitos deles, por terem idade avançada, acima dos 70 anos, e integrarem os grupos de risco, entendem que o retorno é prematuro. Por isso, a direção da Casa determinou que a volta, por enquanto, será pontual e exclusiva para a votação de projetos onde é necessário o voto secreto. Foram instalados totens de votação e postos de drive-thru em pontos estratégicos para que os senadores possam evitar as costumeiras aglomerações no interior do Congresso. Para o comparecimento ao plenário, a determinação é para o distanciamento obrigatório, com a alternância entre uma poltrona ocupada e outra vazia. Haverá a higienização de microfones e bancadas constantemente, com a disponibilização de álcool em gel e a utilização obrigatória das máscaras. As visitas à Casa também foram reabertas, mas com limitações e controle mais rigoroso, inclusive com a medição de temperatura na entrada do Parlamento. No caso dos visitantes, cada gabinete deve avisar a Polícia Legislativa com antecedência sobre a chegada dos convidados. Na reabertura dos trabalhos, na terça-feira, 22, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), fez um pronunciamento aos 22 senadores presentes à sessão sobre a volta aos trabalho, destacando as medidas de segurança que todos devem adotar. “Como podem ver, todas as providências foram adotadas para garantir a segurança dos senadores, minimizando tanto quanto possível o risco de contaminação, mas garantindo o direito dos senadores se manifestarem e deliberarem”, disse Alcolumbre.

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Na Câmara, onde até o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi contaminado pela Covid-19 após a posse do novo presidente do STF, ministro Luiz Fux, há uma prudência maior. A Casa ainda está organizando a volta às sessões presenciais, mas o movimento de parlamentares começa a se intensificar nos gabinetes. Por isso, a direção da mesa diretora determinou a manutenção de um rígido protocolo de distanciamento e higiene dentro das dependências da Câmara. O número de pessoas que transitam no local é ainda maior do no que no Senado. Nos bastidores, os parlamentares pressionam para a volta imediata, mas Rodrigo Maia prefere aguardar um pouco mais para liberar o retorno à normalidade. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) entende que ainda não há segurança suficiente para as sessões presenciais. “As sessões remotas são limitadoras do debate político. No entanto, quando o deputado volta, ele traz também inúmeros assessores. E neste momento, em que a ciência ainda não reconhece a estabilidade da pandemia, não há porque se voltar às sessões presenciais. É muito arriscado”, diz a deputada.

Apesar do maior acesso à informação por parte da maioria dos parlamentares, alguns eventos recentes realizados tanto no Congresso como em outros órgãos do poder em Brasília demonstram que as autoridades nem sempre adotam as medidas que recomendam à população.

EMPOLGADO O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) organizou um jantar para reunir seus colegas na volta às sessões presenciais. Imprudência fora de hora (Crédito:Pedro Ladeira)

Coquetel do vírus

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Após a posse como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), no último dia 10, o ministro Luiz Fux acabou contaminado pelo coronavírus. É que após o final da cerimônia de posse, houve um coquetel de confraternização com a presença das mais importantes autoridades de Brasília. A ministra Cármen Lúcia também ficou doente. Na sequência, foram infectados Rodrigo Maia, o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Ficaram contaminados pela Covid-19 ainda vários ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), como Luis Felipe Salomão e Benedito Gonçalves. A assessoria do STF não informou quais medidas sanitárias foram tomadas para impedir a contaminação em massa. Um total de 157 profissionais do Supremo já foram infectados desde o início da pandemia.

Outro evento no mais alto círculo do poder em Brasília marcado pela imprudência foi a festa de casamento da advogada Anna Carolinna Noronha, filha do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, ocorrida no sábado, 12. A festa da filha de Noronha atraiu a atenção de inúmeras autoridades e tinha, inclusive, a expectativa da presença do presidente Bolsonaro, que acabou não indo de última hora. representando-o mandou o filho “04”, Jair Renan, acompanhado da mãe, Ana Cristina Valle. Imagens registradas na festa mostram que a maioria das pessoas não usava máscaras. No fundo, eles repetem a postura anticiência de Bolsonaro, que, desde o início da pandemia, minimiza o problema, não respeita as regras do distanciamento e rejeita o uso de máscara, razão pela qual ele mesmo já se contaminou. Sem contar que a infecção também já atingiu inúmeros familiares do presidente, como a primeira-dama Michelle e o filho Flávio Bolsonaro. Pelo menos nove de seus ministros mais próximos adoeceram, assim como centenas de assessores do Palácio do Planalto.

Mas entre tantos eventos em que as regras sanitárias foram negligenciadas, nenhum supera a “bela paella” oferecida pelo vice-líder do Senado, Izalci Lucas (PSDB-DF) a dezenas de senadores. No jantar realizado na ter;a-feira, 22, em um clube de Brasîlia as pessoas eram vistas sem máscaras e em abraços incontidos. Na verdade, muitas autoridades em Brasília ainda ignoram que a pandemia ainda não está sob controle e que mais de 4,5 milhões de brasileiros foram contaminados e quase 140 mil já morreram.

 

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