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Desafios homéricos

Ao se confirmar o que apontam as pesquisas, Jair Bolsonaro será eleito o novo presidente do Brasil nesse domingo. É uma mistura de protesto legítimo contra o petismo, clamor por mais firmeza no combate à criminalidade e desejo consciente de uma guinada à direita, num País dominado pela esquerda. Mas o que vem depois?

Bolsonaro terá um enorme desafio pela frente. Para começo de conversa na área econômica. O País está quebrado após décadas de esquerdismo, em especial do populismo do PT. Os gastos públicos cresceram sem parar, e reformas estruturais são inadiáveis. Resta saber se o plano de governo desenhado por Paulo Guedes e sua equipe será mesmo adotado.

Os investidores estão contando com isso. Sem essas reformas, uma crise grave será questão de tempo. Se Bolsonaro realmente seguir a orientação do seu “guru” e o Congresso se mostrar à altura do desafio, então o Brasil terá uma luz no fim do túnel, e não será um trem vindo em sua direção, como aconteceu com Lula e Dilma. Mas ninguém acredita que será fácil implementar tais reformas, privatizar as estatais, estancar a sangria do setor público.

Na área externa, o governo precisa abandonar o velho protecionismo, deixar de lado o Mercosul ideológico, e partir para acordos comerciais com uma postura mais liberal. É a intenção anunciada pelo então candidato, mas será preciso ver o que sairá de concreto aqui também. O País não aguenta mais esse mercantilismo ultrapassado que protege grandes grupos à custa da população.

Além da economia, Bolsonaro terá de mudar a postura no combate ao crime, uma de suas principais bandeiras. Não basta armar os cidadãos de bem ou conceder uma licença para matar aos policiais. O buraco é bem mais embaixo. Mas certamente uma drástica mudança de mentalidade se faz necessária, em que o bandido deixa de ser uma “vítima da sociedade”. Bolsonaro precisa seguir os passos de Giuliani em Nova York e adotar a política de “tolerância zero”, inclusive para pequenos delitos. Não é “bandido bom é bandido morto”, como pedem alguns em desespero, mas sim enfrentar com determinação a marginalidade.

Por fim, há a crucial questão da limpeza da máquina estatal, totalmente aparelhada pelos vermelhos. Declarar guerra a esse establishment, ao “deep state”, e livrar o setor público dos apaniguados petistas é simplesmente imperativo para um bom governo. Haverá muitos obstáculos no caminho, e espera-se que Bolsonaro tenha a coragem de comprar essa briga.

Como se vê — e isso é apenas o começo — o que vem após a vitória é o que realmente importa. O futuro está em aberto. O fato é que Bolsonaro terá a oportunidade de realmente fazer a diferença, mirar no liberalismo econômico e no conservadorismo dos costumes. Se assim fizer, poderá se tornar um estadista.

Uma drástica mudança de mentalidade se faz necessária,
em que o bandido deixa de ser uma “vítima da sociedade”


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