O secretário estadual da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, decidiu trocar o PL pelo PP para se lançar candidato ao Senado em 2026.
Segundo o partido de destino de Derrite, a troca teve apoio do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-presidente Jair Bolsonaro, principal nome da legenda. A ficha de filiação ainda será assinada.
Planos para 2026
A candidatura de Derrite ao Senado é incentivada por aliados desde o início de seu trabalho na gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ex-ministro de Bolsonaro, o governador emula o aliado em uma política “linha dura” na segurança, como demonstraram as operações policiais Escudo e Verão, que deixaram 56 civis mortos na Baixada Santista. A ênfase na área projetou o secretário politicamente.
Tanto PP quanto PL estão na base de Tarcísio e devem caminhar juntos no estado nas eleições de 2026. Com a migração, Derrite abre espaço para um desejo de Bolsonaro: em entrevistas, o ex-presidente expôs a ideia de ter “um candidato seu e um de Tarcísio” na chapa de seu grupo para o Senado em 2026.
Neste cenário, seu indicado seria o próprio filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) — plano que ficou sob risco com a ida do parlamentar aos Estados Unidos –, enquanto Derrite seria ungido pelo governador, evitando domínio do PL. O secretário se elegeu e cumpriu mandato de deputado federal no PP, o que facilitou a negociação.
Ao mesmo tempo, aliados de Derrite na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) defendem que, caso Tarcísio não dispute a reeleição e seja candidato à Presidência em 2026, Derrite dispute a sucessão no Palácio dos Bandeirantes. A hipótese depende do aval de Bolsonaro — o ex-presidente está inelegível até 2030, mas repete que será o representante da direita no pleito e evita endossar o governador.
Gestão de excessos
Em 2024, uma onda de episódios de violência protagonizados por policiais paulistas colocou Derrite no centro de uma crise política. A sequência de excessos evidenciou um quadro mais amplo de truculência — entre janeiro e setembro de 2024, oficiais de segurança do estado mataram 496 pessoas, maior número para o período desde 2020.
Mesmo sob pressão da oposição e de instituições ligadas aos direitos humanos e à segurança pública, Tarcísio endossou o comandado e decidiu mantê-lo no cargo. Lideranças de expressão nacional do bolsonarismo, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), engrossaram a defesa do secretário.
Crise interna
Derrite também protagoniza uma crise entre o governo e a Polícia Civil desde que chegou ao cargo, tornando-se o primeiro policial militar a chefiar as tropas do estado. Oficial da reserva, ele comandou um pelotão da Rota (Rotas Ostensivas Tobias Aguiar) até deixar a tropa de choque por excesso de violência.
Policiais civis do estado cobraram reajustes e melhores condições de trabalho, acusaram Tarcísio e seu comandado de dar um tratamento preferencial à Polícia Militar e afirmaram não haver interlocução entre o Palácio dos Bandeirantes e a corporação.
Para Guaracy Mingardi, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e ex-investigador da Polícia Civil, a corporação tem sido deixada de lado pelo governo estadual. “Está ficando envelhecida, burocratizada, e sofre com a falta de pessoal, recurso e equipamentos — mesmo no Departamento de Homicídios, talvez o mais funcional da Segurança Pública paulista”, disse.