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Deputados israelenses têm dois dias para evitar novas eleições

Deputados israelenses têm dois dias para evitar novas eleições

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (D), e seu prinicipal rival, Benny Gantz, em 19 de setembro de 2019 em Jerusalém - AFP/Arquivos

Os deputados israelenses têm até a quarta-feira para tentar encontrar um primeiro-ministro, que substitua Benjamin Netanyahu e, se não conseguirem, o país precisará de novas eleições, as terceiras em menos de um ano.

A atual maratona entra em sua fase final. Após as eleições de abril e setembro, que colocaram Netanyahu e seu rival Benny Gantz quase empatados, o fracasso dos dois para formar governo e o posterior indiciamento do primeiro-ministro por corrupção, a classe política está nas mãos dos deputados.

Se os deputados não conseguirem até quarta-feira às 23H59 propor uma maioria a Netanyahu ou a Gantz, os dois políticos terão que se preparar para uma nova disputa eleitoral.

Para evitar terceiras eleições, alguns parlamentares terão que mudar de lado para se juntar a Gantz ou a Netanyahu. A menos que os dois rivais se unam.

Nas últimas semanas, contudo, nenhum deputado deu sinais de mudança. Os especialistas já falam de novas eleições em março a menos que haja uma surpresa de última hora.

Quem liderará o partido conservador Likud? No partido de Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história do país, já começam a aparecer divisões, fomentadas por Gideon Saar.

Este peso pesado do partido não deixou a sigla para se juntar ao campo de Benny Gantz, mas exige que se celebrem primárias para designar o próximo chefe do Likud.

Netanyahu enfrenta acusações de corrupção, fraude e abuso de confiança enquanto pessoas de seu entorno foram acusadas de lavagem de dinheiro na compra de submarinos militares da Alemanha.

– “Traidor” –

Na noite de domingo, em uma reunião do comitê central do partido, vários membros trataram Saar como um “traidor”.

“As tentativas de deslegitimar e manchar a imagem daqueles que tentam questionar (Netanyahu) são contrárias ao caráter democrático do Likud. Uma competição democrática reforça o movimento, não o enfraquece”, disse Saar em mensagem postada em sua página no Facebook.

Até agora, entretanto, sua iniciativa não teve o apoio esperado. O Likud esperará a convocação ou não de novas eleições antes de se pronunciar sobre as primárias, informou o comitê central após a reunião.

Nos últimos dias, Netanyahu propôs a realização de uma “eleição direta” para o cargo de primeiro-ministro, seguindo o modelo de eleição presidencial. Nesse caso, o vencedor não seria o partido com mais assentos, mas o candidato com mais votos da população.

Os apoiadores de Benny Gantz também rejeitaram essa opção.

“Mudar o sistema eleitoral em um ‘instante’ nos levará ao mesmo ponto de partida: é uma proposta vazia que deseja desviar a atenção de Netanyahu, que é acusado de corrupção em três casos graves e é o único responsável por levar o país para a terceira eleição”, respondeu o partido de centro-direita Azul-Branco em comunicado.

Para evitar ir às urnas novamente em menos de um ano, Gantz poderá criar uma coalizão com Netanyahu, mas o ex-chefe do Estado Maior do exército insiste que quer ser o primeiro a dirigir o possível governo, reiterando que o primeiro-ministro tem que solucionar antes seus problemas com a justiça.

Entretanto, Netanyahu deve se manter em seu cargo, já que segundo as leis israelenses o chefe de governo não tem que abandonar suas funções caso seja considerado culpado.