Um grupo de 25 deputados democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, cobrando esclarecimentos sobre a possível participação do governo de Donald Trump na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil.
O documento foi encaminhado na quinta-feira (29), após a chegada do parlamentar e de sua família a Miami, na Flórida.
Os congressistas querem saber se autoridades americanas tinham conhecimento das restrições judiciais impostas ao senador pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e se utilizaram recursos diplomáticos para facilitar sua viagem.
A iniciativa ocorre em meio à repercussão internacional da saída de Flávio do Brasil, realizada após sua derrota nas eleições presidenciais.
Parlamentares apresentam 15 perguntas ao governo Trump
A carta reúne 15 questionamentos sobre as circunstâncias da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
Os deputados solicitam informações sobre a atuação do Departamento de Estado, da Embaixada americana no Brasil e de outros órgãos do governo federal.
Entre as principais dúvidas está a possibilidade de funcionários americanos terem participado da organização do deslocamento do senador.
Os parlamentares também querem esclarecer se houve comunicação com autoridades da Argentina e do Equador, países que fizeram parte do trajeto até Miami.
A cobrança foi articulada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada, com a adesão de outros 23 congressistas democratas.
Carta questiona concessão de vistos à família Bolsonaro
Um dos principais pontos levantados pelos parlamentares diz respeito à autorização de entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares nos Estados Unidos.
Os deputados querem saber quando os vistos foram concedidos e quais critérios foram utilizados para autorizar a viagem.
Também perguntam se o Departamento de Estado tinha conhecimento da determinação do STF que exigia a entrega dos passaportes do senador.
A preocupação dos congressistas está relacionada à possibilidade de que a administração Trump tenha autorizado a entrada de uma autoridade estrangeira submetida a restrições judiciais em seu país de origem.
O grupo solicita ainda esclarecimentos sobre eventuais consultas feitas às autoridades brasileiras antes da concessão das autorizações.
Assessoria de Trump é mencionada no caso
A participação de pessoas próximas ao presidente Donald Trump também está entre os pontos que despertaram questionamentos.
Informações divulgadas sobre a viagem indicam que Jason Miller, conselheiro político de Trump, teria ajudado a providenciar a aeronave utilizada por Flávio Bolsonaro.
O senador deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular que o levou aos Estados Unidos, com passagem pelo Equador.
Os deputados americanos querem determinar se a organização do transporte envolveu apenas pessoas próximas ao presidente ou se houve participação de funcionários e estruturas oficiais do governo.
A eventual colaboração institucional americana ainda não foi comprovada.
Saída do Brasil ocorreu após restrições impostas pelo STF
Flávio Bolsonaro deixou o território brasileiro depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A medida determinava a entrega de seus passaportes e restringia viagens internacionais.
As determinações foram adotadas no contexto de uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O senador nega irregularidades e afirma sofrer perseguição política.
A saída ocorreu na terça-feira (27), dois dias depois de Flávio perder o segundo turno das eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ele chegou a Miami na manhã seguinte, acompanhado da esposa e das duas filhas.
Flávio contestou resultado das eleições após chegar aos EUA
Depois de desembarcar nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou manifestações questionando o resultado das eleições brasileiras.
O senador alegou, sem apresentar provas, que teria ocorrido fraude no processo eleitoral.
Em uma das versões de seu pronunciamento, chegou a se apresentar como presidente eleito do Brasil.
Posteriormente, passou a utilizar a expressão “líder do Brasil” e afirmou que pretende comandar a oposição ao governo Lula a partir do território americano.
O resultado das eleições, entretanto, foi reconhecido pela Justiça Eleitoral brasileira e por representantes da oposição, incluindo integrantes do próprio Partido Liberal.
Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro.
Democratas querem saber se houve uso de recursos públicos
A preocupação dos deputados não se limita à concessão dos vistos.
Os parlamentares também questionam se recursos diplomáticos, administrativos ou operacionais do governo americano foram utilizados para facilitar a viagem.
A carta pede informações sobre possíveis contatos entre autoridades dos Estados Unidos e representantes de Flávio Bolsonaro antes e depois da decisão judicial brasileira.
Outro ponto envolve a atuação de funcionários americanos que estivessem na Argentina ou no Equador durante a passagem do senador.
Os congressistas argumentam que o esclarecimento dessas circunstâncias é necessário para garantir transparência na condução da política externa americana.
A iniciativa representa um pedido formal de fiscalização parlamentar, não uma conclusão de que o governo Trump tenha participado de uma operação ilegal.
Marco Rubio tem prazo até 13 de novembro para responder
Os deputados estabeleceram o dia 13 de novembro de 2026 como prazo para que o Departamento de Estado apresente respostas por escrito.
O grupo também solicitou uma reunião com representantes do órgão para discutir os esclarecimentos.
A cobrança ocorre em um momento de polarização política nos Estados Unidos, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.
O caso poderá ampliar o debate sobre a relação entre o governo Trump e aliados políticos estrangeiros.
No Brasil, a saída de Flávio Bolsonaro também provocou questionamentos sobre o cumprimento das determinações judiciais e a possível participação de autoridades de outros países.
As respostas do Departamento de Estado poderão ajudar a esclarecer se houve algum tipo de colaboração oficial americana na viagem do senador.
Da IstoÉ