A Polícia Federal (PF) realizou na manhã desta terça-feira, 29, a 15ª fase da Operação Lesa Pátria, que tem como objetivo identificar as pessoas que participaram dos atos golpistas de 8 de janeiro, em Brasília (DF). O alvo da ação foi o deputado estadual de Goiás Amauri Ribeiro (União Brasil).
Resumo:
- Em junho, o deputado chegou a afirmar durante um discurso na Alego (Assembleia Legislativa de Goiás) que havia financiado acampamentos bolsonaristas;
- Ele ainda ressaltou que o dinheiro era proveniente de pessoas que queriam defender o Brasil;
- Segundo a PF, a investigação apura os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, entre outros.
Ao todo, a corporação cumpriu dois mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), em Goiânia e na cidade de Piracanjuba (GO).
“Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido e crimes da lei de terrorismo”, explicou a PF.
A ISTOÉ entrou em contato com o deputado para comentar o caso, mas não obteve resposta até o momento. O espaço permanece aberto.
Quem é o deputado?
No dia 6 de junho deste ano, Amauri Ribeiro afirmou durante um discurso no plenário da Alego (Assembleia Legislativa de Goiás) que “também deveria estar preso” por ter financiado acampamentos bolsonaristas contrários à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, o parlamentar afirmou que participou de um acampamento e levou comida e água aos apoiadores de Jair Bolsonaro (PL).
Na sua fala, ele ainda acrescentou que o dinheiro para financiar os atos contra o resultado eleitoral “não veio de fora, veio de gente que acredita nessa nação e que defende este País e que não concorda com o governo corrupto e bandido”. Isso ocorreu após uma debate com o deputado estadual Mauro Ribeiro (PT-GO) que defendeu a punição para aqueles que estimularam os atos golpistas.
Essa não foi a primeira polêmica em que Amauri se envolveu. Ao tomar possa do seu mandato, em fevereiro de 2019, ele usou um chapéu, contrariando o regime interno da Alego. Além disso, Ribeiro foi fotografado com a esposa sentada em seu colo.
Ao ser questionado pelos dois episódios, Amauri afirmou que tem um problema de visão e, por causa disso, usou o chapéu. Já em relação a sua esposa, o parlamentar disse que aconteceu por um rápido momento, porque ela estaria passando mal. Depois, cederam um assento para ela.