Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

Não há país, em todo o mundo, mais sem vergonha e mais sem amor próprio do que o Brasil. Isso é uma quase certeza! Igualmente, não há eleitor mais sem vergonha e sem amor próprio do que o bolsonarista-raiz. Se bem que, neste caso, estou sendo injusto com os lulopetistas; uma espécie rival dos bolsominions.

Também não há democracia minimamente decente que produza, em série e tão fartamente, políticos da baixeza dos nossos. Pior. Que eleja e reeleja esse tipo de gente com tamanhas frequência e assiduidade. Por isso afirmo, sem medo de errar, que Brasil e brasileiros são campeões mundiais de sem vergonhice.

Por que isso agora? Por causa das 315 mil mortes por Covid? Por causa da falta de vacinas? Por causa do Queiroz? Por causa da mansão de 6 milhões de reais? Por causa da cloroquina e da ivermectina? Não, meus caros e caras. Também por isso, lógico. Mas por termos uma parlamentar chamando assassino de herói.

E não é uma parlamentar qualquer, não. É uma das mais importantes aliadas do governo. É também presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, um dos cargos mais importantes da Casa. É Bia Kicis, que correu ao Twitter para saudar um PM que abriu fogo contra os próprios colegas.

A bolsonarista chamou de herói alguém que tentou matar pais de família, vejam só. E incentivou policiais militares, sabe-lá por que, a não cumprirem “ordens ilegais” do governador da Bahia (o caso ocorreu em Salvador). Esta senhora pregou motim e apoiou tentativa de assassinato, ocupando a Presidência da CCJ, e nada aconteceu.

Eis aí o bolsonarismo em estado puro. Eis o tipo de gente a que estamos entregues. Eis o retrato de um País movido à intolerância. Eis o Brasil sob a influência macabra do homicida Bolsonaro. Pronto, Bia! Já pode insuflar os bate-paus da internet contra mim. Se as ameaças derem certo, você dá os parabéns ao meu assassino.

OBS: homicida é um adjetivo de dois gêneros que caracteriza quem – ou aquele – que ou acarreta ou pode acarretar a morte de muitas pessoas. Ao promover e incentivar aglomerações; ao pregar contra o uso de máscaras; ao aconselhar a população a enfrentar o vírus de peito aberto, Bolsonaro age como homicida.