Cultura

Depois de ‘La Casa de Papel’, sucesso de ‘Lupin’ consagra a globalização das séries de TV

Depois de ‘La Casa de Papel’, sucesso de ‘Lupin’ consagra a globalização das séries de TV

Omar Sy em fevereiro de 2020 na Berlinale - AFP

Depois da sensação com a série espanhola “La Casa de Papel”, o sucesso da francesa “Lupin” ilustra o fim da hegemonia dos Estados Unidos na produção televisiva, um movimento impulsionado pelas plataformas e a nova ambição de atores internacionais.

“Há 10 anos, 90% da criatividade estava nos Estados Unidos”, lembra Pascal Breton, fundador e presidente da produtora Federation Entertainment. “Havia boa criatividade local em um pequeno nível, mas não viajava”.

No entanto, as coisas mudaram. O poder da internet aumentou, o modelo de televisão sob demanda se instalou, os canais americanos deram o exemplo, com a HBO na liderança. Tudo isso levou os estrangeiros a apostarem nas séries, quando antes optavam pelo cinema ou pelo esporte.

“Não sei bem qual era a intenção no início, mas as produções confirmaram que não era apenas uma forma de se diferenciar no mercado internacional, mas que isso interessava a outros mercados”, explica Luca Barra, professor da Universidade de Bolonha e co-autora de um estudo sobre ficção televisiva na Europa.

Esta “mudança de mentalidade” também favoreceu o desenvolvimento de estruturas de produção transnacionais, especialmente na Europa, para dar conta de um aumento dos orçamentos, afirmou.


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Paralelamente, a explosão do número de canais e plataformas gerou um apetite por conteúdos nunca antes visto e redefiniu a noção de sucesso.

“São tantos programas e o público está tão fragmentado que produções que antes não teriam encontrado seu público, podem encontrar uma saída”, disse Barra.

O surgimento de plataformas internacionais, principalmente Netflix, mas também mais recentemente Amazon e Disney +, desempenhou um papel crucial.

A Netflix também ofereceu legendas em todas as suas produções e a dublagem de várias delas, permitindo que séries não inglesas como “Lupin” (em francês) dominassem as classificações mundiais por vários dias.

– “Reequilíbrio” –

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Para se estabelecer no exterior, as plataformas americanas produziram conteúdo local em diversos países, passando por produtoras locais.

Na Coreia do Sul, e agora na Europa, graças a uma recente lei (SMA), os serviços de vídeo na Internet também têm a obrigação de contribuir financeiramente para o setor audiovisual do país onde estão presentes.

Nesse novo panorama da produção de televisão, os americanos “continuam muito poderosos”, disse Breton, mas “há um reequilíbrio real” que “se acelerará”.

Para Jonathan Gray, professor da Universidade de Wisconsin, empresas de produção fora dos Estados Unidos também integraram códigos de script que são exportados para os Estados Unidos.

“Os gostos americanos são limitados em termos de televisão”, disse ele. Mas as produções estrangeiras agora sabiam como satisfazê-los, “sacudindo-os um pouco às vezes, mas sempre de forma reconhecível”.

“Há muito mais temas internacionais, tipos de narração de histórias”, disse Breton.

“Versalhes ou Saint Tropez são temas mundiais. Eles conquistam” públicos internacionais, como a série italiana “Gomorra”, sobre a máfia, ou a mexicana “Narcos”, sobre o tráfico de drogas internacional.

No caso de “Lupin”, o Louvre funciona como um ímã, mas para Breton, o sucesso também se explica pela encenação.

“É um pouco como os filmes de Luc Besson (…), o único do cinema francês que entendeu o mercado internacional”. Na verdade, vários ex-colaboradores de Besson estão por trás das câmeras na série “Lupin”.

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