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Dentista vence briga na Justiça contra Ferrari e deseja recuperar réplica confiscada

Crédito: Arquivo Pessoal

O dentista José Vítor Estevam de Siqueira venceu a marca italiana na Justiça, no embrólio judicial que envolve uma réplica de uma Ferrari F40. O veículo foi levado da casa do dentista há quase um ano, na cidade de Cachoeira Paulista, em São Paulo. A Ferrari o acusava de falsificação por conta da produção da réplica. De acordo com decisão emitida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, a ação contra José foi extinta por descumprimento de prazo legal, conforme matéria do portal UOl.

No processo movido pela Ferrari, a fabricante alegou crimes de desrespeito a registro de marca e concorrência desleal em uma investigação feita pela própria empresa italiana. A réplica foi produzida com carroceria de fibra de vidro, peças de veículos batidos adquiridas em leilões e motor com componentes reaproveitados de um Toyota Camry 1997. Tudo para tentar imitar uma F40 ano 1987 vermelha.

Para o UOL, o dentista disse que tentou vender sua “Ferrari” por conta da sua situação financeira. O carro foi anunciado para venda na internet pelo valor de R$ 80 mil. Com isso, o veiculo foi apreendido pela polícia. Posteriormente, José Vítor entrou com um pedido de indenização na Justiça.

O advogado do dentista João Guilherme Cardoso de Oliveira relatou que o trabalho feito de forma amadora indicava que seu cliente não buscava utilizar a réplica comercialmente. “Um cliente da marca original Ferrari em nenhum momento buscaria um protótipo da forma tão amadora como ele fez. A conduta que o meu cliente teve nada tem a ver com a conduta que a ele foi imputada”, afirmou o advogado .

Após a decisão da Justiça, a defesa de Siqueira pediu o veículo de volta. Além da solicitação, também há uma ação por dano moral e material em que Siqueira pede R$ 4 milhões de indenização. De acordo com a defesa, o valor inicial era de R$ 100 mil, mas foi revisto pelo dentista.

O dentista relatou que por causa do processo ele ficou conhecido e teve sua carreira profissional prejudicada. “Esse processo vinculou minha imagem de dentista à imagem de um falsificador. Estou desempregado há um ano, pois toda clínica que me candidatava a vaga de dentista, na hora da entrevista me reconheciam vinculando minha imagem ao processo. Sempre ouvia que não poderia ser contratado pois vincular a clínica com uma imagem negativa de um falsificador não seria bom para empresa e que era para eu resolver a situação judicial primeiro”, comentou Siqueira.

José Vítor espera ter sua Ferrari de volta em breve para poder continuar o trabalho de montagem. “Com o carro em mãos, acredito que poderei terminá-lo e realizar o sonho”.

Procurada pela reportagem do UOL, a representação da marca italiana no Brasil  não retornou até o fechamento da reportagem.

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