Senadores democratas apresentaram nesta quarta-feira (11) um projeto de lei para que o órgão de controle americano investigue e apresente, em 30 dias, uma auditoria sobre os acordos de Washington com a Venezuela para a venda de seu petróleo.
O projeto, chamado “Lei de transparência sobre as receitas do petróleo venezuelano”, foi apresentado pelo líder da bancada democrata, Chuck Schumer, e pelo senador Adam Schiff, segundo comunicado oficial.
Os republicanos têm maioria no Congresso americano.
A proposta legislativa, se aprovada, encarrega o Escritório de Contabilidade do Governo (GAO) de realizar uma auditoria sobre o inédito esquema de arrecadação da venda do petróleo venezuelano, que atualmente passa por contas bancárias no Catar.
Em dezembro, os Estados Unidos instauraram um bloqueio naval ao petróleo que a Venezuela exportava por meio de petroleiros “fantasma”.
O setor petrolífero venezuelano estava submetido a sanções desde 2019.
Poucas semanas após esse bloqueio, uma operação militar americana retirou da Venezuela o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, que agora aguardam julgamento por narcotráfico em Nova York.
Com a chegada ao poder da presidente interina Delcy Rodríguez, que era a principal aliada de Maduro, estabeleceu-se um diálogo rápido com Washington para começar a suspender sanções e estruturar um esquema de venda de petróleo sob controle americano.
O presidente Donald Trump declarou-se “muito satisfeito” com o nível de cooperação com o novo governo venezuelano, enquanto suspende gradualmente as sanções.
“O povo americano merece saber o que está acontecendo com o dinheiro recebido desses pagamentos pelo petróleo venezuelano e para onde – e para quem – ele está sendo destinado”, declarou Schumer no comunicado.
“Não há razão para que Trump contorne o sistema bancário dos Estados Unidos e encha os bolsos de seus amigos das grandes petroleiras em vez de reduzir os custos para os americanos que trabalham duro”, acrescentou.
Os Estados Unidos permitem a venda de petróleo venezuelano no mercado formal, mas fiscalizam as receitas, que no fim de janeiro somavam pelo menos 500 milhões de dólares (R$ 2,62 bilhões).
O secretário de Estado, Marco Rubio, admitiu em audiência no Senado que o esquema era “inovador” e se mostrou aberto a uma auditoria.
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