Democratas acusam Trump de ataque ilegal à Venezuela

Democratas acusam Trump de ataque ilegal à Venezuela

"ParaLíderes democratas criticam operação militar sem aval do Congresso, apontam violação da Constituição americana e alertam para riscos à imagem dos EUA no cenário internacional.Líderes do Partido Democrata americano reagiram com indignação neste domingo (04/01) à intervenção militar ordenada por Donald Trump na Venezuela . Eles classificaram a ação como ilegal, por ter sido realizada sem a aprovação do Congresso, e alertaram para possíveis consequências desastrosas para os Estados Unidos.

A operação, que ocorreu na madrugada de sábado e tinha como objetivo retirar Nicolás Maduro do poder, não teria sido comunicada previamente aos parlamentares. Na avaliação dos democratas, isso viola a Constituição americana e compromete a imagem do país no cenário internacional, já que diversas autoridades, incluindo o secretário-geral da ONU, acusaram Washington de desrespeitar a Carta das Nações Unidas .

Em entrevista à emissora CNN, o senador Chris Murphy afirmou que o governo "mentiu descaradamente" aos parlamentares. "A mensagem que transmitiram ao Congresso foi que não se tratava de uma mudança de regime. Eles mentiram descaradamente para nós", disse o democrata, para quem a operação foi "claramente ilegal".

Segundo a Constituição americana, apenas o Congresso pode declarar guerra, com a Resolução de Poderes de Guerra de 1973 exigindo autorização legislativa para qualquer ação militar.

"O presidente não pode comandar uma operação militar dessa magnitude. Não pode invadir um país estrangeiro sem antes consultar o Congresso, sem permitir que o povo americano se manifeste", criticou.

Segundo Murphy, a informação repassada aos congressistas era de que se trataria "apenas de uma operação de combate ao narcotráfico ", com o objetivo de interromper o fluxo de drogas para os EUA.

"Quase ao mesmo tempo, a Casa Branca declarou publicamente que, se algum dia tivéssemos tropas em solo venezuelano, é claro que teríamos que consultar o Congresso".

Líderes denunciam falta de transparência

No entanto, nem mesmo o chamado "grupo dos oito" — formado pelos principais líderes do Congresso tradicionalmente consultados sobre questões de segurança nacional — foi informado sobre a operação.

Jim Himes, membro desse grupo seleto e principal democrata no comitê de inteligência da Câmara, também criticou a falta de transparência. "Ainda não recebi nenhum telefonema", disse à CNN.

Em outra entrevista ao programa "Face the Nation", da emissora CBS News, o parlamentar foi além: "Não houve qualquer contato comigo, e pelo que sei, nenhum democrata foi procurado. Pelo visto, agora vivemos em um cenário onde a obrigação legal de manter o Congresso informado só vale para o partido do governo".

O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, democrata de Nova York, também acusou o governo de não ter "notificado o Congresso adequadamente antes da operação na Venezuela ".

Governo defende sigilo

A decisão de não notificar os parlamentares com antecedência foi defendida pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

"Ligamos para os membros do Congresso imediatamente depois. Este não era o tipo de missão que permite notificação prévia ao Congresso, pois colocaria a missão em risco", disse no sábado, em uma coletiva de imprensa ao lado de Trump.

Na ocasião, o presidente acrescentou: "o Congresso tem a tendência de vazar informações. Isso não teria sido bom".

Protestos contra a ação dos EUA

Não só os líderes democratas se pronunciaram, mas também a sociedade civil. A intervenção dos EUA na Venezuela indignou muitos americanos, que saíram às ruas para protestar em cidades como Nova York e Washington. Os manifestantes denunciam o interesse do governo Trump no petróleo venezuelano, alegando que o ataque em Caracas teria sido uma violação do direito internacional.

Um grupo também se reuniu em frente ao centro de detenção onde Maduro está preso, no Brooklyn.

ip/le (ots)