O Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo (Sindpesp) começou uma campanha contra o que chamou de “sucateamento” da Polícia Civil de São Paulo sob o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A ação inclui outdoors em cidades do interior, litoral e Vale do Paraíba, além de ofensiva nas redes sociais.
Segundo a entidade, policiais civis enfrentam baixos salários, falta de estrutura, sonegação de direitos e baixa de efetivo. O Sindpesp divulgou um levantamento que aponta déficit de 14.377 policiais — entre 2023 e janeiro de 2026, foram 5.760 admissões, contra 3.691 desligamentos.

Cartaz produzido pela antidade — Foto: Reprodução/Sindpesp
O Sindpesp afirmou que, na campanha eleitoral de 2022, Tarcísio garantiu que a Polícia Civil seria uma das mais bem pagas e equipadas do país, mas “venceu nas urnas e não cumpriu o que prometeu”. O Sindicato também produziu um vídeo, utilizando Inteligência Artificial, dizendo que o governador utilizou a pauta da segurança pública como “moeda política” para se eleger, mas deixou as entidades policiais “abandonadas”.
A presidente da entidade, delegada Jacqueline Valadares, disse que a ausência de políticas de valorização salarial tem provocado evasão de profissionais e impacto direto na segurança do estado. Delegados paulistas, disse ela, recebem o quarto pior salário do país.

Cartaz denuncia desvalorização da polícia de São Paulo – Foto: reprodução/Sindpesp
A IstoÉ questionou a Secretaria estadual da Segurança Pública a respeito do déficit e defasagem salarial apontados pelo Sindpesp, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto à manifestação.
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O que diz o governo
A IstoÉ questionou a Secretaria estadual da Segurança Pública a respeito do déficit e defasagem salarial apontados pelo Sindpesp. A seguir, reproduzimos a nota enviada pela pasta:
“A Secretaria da Segurança Pública mantém diálogo permanente com as entidades representativas e reconhece a importância do trabalho desempenhado pelas carreiras policiais. A valorização dos profissionais da segurança e o fortalecimento das instituições têm sido prioridades da atual gestão, com ações voltadas tanto à recomposição dos efetivos quanto à melhoria das condições de trabalho.
Entre 2022 e 2025, os policiais civis e militares acumularam reajuste salarial de 45,2%. Já os policiais penais tiveram aumento acumulado de 54% no mesmo período. A gestão ainda reforçou os quadros e reduziu o déficit do efetivo com a contratação de 15 mil novos policiais, incluindo os que integraram a maior nomeação da história da Polícia Civil com 4 mil vagas. Também foram pagos R$ 1,1 bilhão em bônus e adquiridos quase 17 mil armas, mais de 50 mil coletes, 3,4 mil viaturas, 1 helicóptero e 15 mil câmeras corporais, além da construção ou ampliação de 154 prédios policiais.
Paralelamente, a pasta reforçou os investimentos em sistemas de inteligência e novas tecnologias, o que permitiu ao Estado de São Paulo alcançar, em 2025, os menores índices de homicídios e latrocínios desde 2001, além de expressivo aumento na produtividade policial: mais de 219,3 mil infratores presos, 206 toneladas de drogas apreendidas e 14 mil armas de fogo ilegais retiradas de circulação.
A proposta de regulamentação da Lei Orgânica da Polícia Civil está em estágio avançado e o Grupo de Trabalho permanecerá ativo até a conclusão de todas as etapas previstas, garantindo o cumprimento dos ritos legais e a participação institucional da Polícia Civil no desenvolvimento da regulamentação. Desde o início do processo, as entidades representativas da categoria foram ouvidas e suas contribuições integraram as discussões para elaboração da proposta”.
Delegados e Tarcísio têm relação atribulada
A insatisfação da Polícia Civil com a gestão de Tarcísio não é pontual nem recente. Em janeiro de 2025, o Sindpesp já cobrava reajuste e acusava o governador de não honrar compromissos eleitorais, afirmando que a Polícia Civil foi preterida em recomposições anteriores e segue sem correção de perdas inflacionárias.
As críticas foram reforçadas ao longo do ano em função de reajustes considerados insuficientes — como o aumento linear de 5% para todo o funcionalismo público estadual, que os delegados consideraram aquém das necessidades e mesmo parlamentares da base de Tarcísio criticaram.
O descontentamento era direcionado também ao então secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), devido à falta de diálogo com a categoria pela regulamentação da nova Lei Orgânica da Polícia Civil.