A defensora do povo da União Europeia (UE), Emily O’Reilly, pediu ao comitê de Ética da Comissão Europeia, nesta quinta-feira (15), que reexamine a contratação de seu ex-presidente José Manuel Durão Barroso por parte do banco de negócios Goldman Sachs.
Há suspeitas de atuação como membro de um grupo de pressão em Bruxelas.
“Os antigos comissários têm o direito de ocupar cargos públicos, mas, como antigos funcionários, também devem se assegurar de que suas ações não minem a confiança dos cidadãos da UE”, alega Emily O’Reilly, citando uma reunião entre Barroso e “um vice-presidente da Comissão”.
A reunião aconteceu em 25 de outubro de 2017 em um hotel de Bruxelas entre o também ex-primeiro-ministro português e o vice-presidente do Executivo comunitário, Jyrki Katainen.
Ainda que, em um primeiro momento, o encontro tenha sido registrado “como uma reunião com o banco Goldman Sachs e, portanto, (…) para fins de lobby”, posteriormente ambos os protagonistas “declararam que a reunião era um encontro privado e pessoal”, declara o gabinete de O’Reilly em um comunicado.
A defensora pede a Bruxelas que reabra o “caso Barroso” por considerar que a reunião pôs em xeque a avaliação do comitê de ética sobre a contratação do português, a qual se baseava em seu compromisso de “não fazer ‘lobby’ na Comissão”.
“Não pressionei, nem pressionarei funcionários da UE”, reagiu no Twitter o ex-presidente da Comissão e ex-premiê português, após tomar conhecimento da decisão de O’Reilly.
O código de conduta da UE em vigor no momento da contratação de Durão Barroso, em 2016, previa que os comissários teriam que pedir autorização à Comissão para trabalhar em um grupo privado durante os 18 meses posteriores ao término de suas funções.
Embora a nomeação de Barroso tenha acontecido depois desse período, gerou dúvidas éticas na defensora europeia, levando-a a pedir ao comitê de ética que fizesse uma primeira avaliação.
Além disso, a reputação do Goldman Sachs é, no mínimo, polêmica.
O banco esteve amplamente envolvido na venda de complexos produtos financeiros, incluindo as hipotecas “subprime” que contribuíram para o “crash” financeiro de 2008 e também ajudou a Grécia a maquiar sua dívida, antes de explodir a crise.