O Dia

Deepfake: Tecnologia do ‘parece, mas não é’

Técnica cria vídeos com pessoas em situações que elas nunca estiveram

Rio – Deepfake é uma técnica que utiliza inteligência artificial (IA) para produzir vídeos falsos em que pessoas são colocadas em situações em que nunca estiveram. A moda de trocar rostos na internet não é novidade, mas nos últimos anos, com a criação de programas mais avançados, as alterações se sofisticaram.

Fantasia

O programa Fake App permitiu, por exemplo, que várias celebridades tivessem seus rostos inseridos em corpos de atores pornôs e os vídeos foram compartilhados em sites pornográficos.

A produtora de material pornô Naughty America começou a oferecer, em 2018, serviços para realizar fantasias sexuais de clientes. Eles trocavam os rostos dos atores em cenas tórridas pelo rosto de celebridades ou do consumidor, que era orientado a filmar a si mesmo fazendo expressões faciais, para garantir um vídeo realista.

Preocupação

Apesar de ser mais comum com famosos, todos podem ser alvos dos deepfakes. O professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), Gustavo Robichez, explica que mesmo sendo improvável, há riscos de que o seu rosto vá parar em conteúdos inapropriados.

“É um pouco mais difícil, porque é preciso que conteúdos originais possam ser usados como treinamento, mas não é impossível. No geral, as pessoas não produzem tanto conteúdo, mas têm que ter cuidado com quem compartilham as informações, porque pode alimentar o uso de uma tecnologia para o mal”, explica o professor Robichez.

Cinema oferecerá oportunidade rentável

Em estudo realizado pelo Centro de Inteligência Artificial da empresa Samsung e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Skolkovo, na Rússia, foi desenvolvido um modelo capaz de criar imagens animadas com uma quantidade mínima de informações de uma pessoa real. Segundo a pesquisa, o modelo poderá ser usado para hologramas, videoconferências e jogos online.

 
“No futuro haverá filmes que não serão só dublados em português, eles serão ‘gesticulados’ em português. Também haverá inteligência artificial capaz de copiar a voz do ator original falando em português, com a mesma entonação. Quem dominar essa tecnologia, será muito bem remunerado”, afirmou Bruno Sartori.