O Instituto Nacional de Estatística (Istat) projeta que a Itália, já em cenário de declínio demográfico, pode perder mais de 13 milhões de habitantes até 2080, o que representa uma redução de 22% de sua população atual. O relatório, divulgado nesta segunda-feira (31), aponta para um futuro desafiador para o país, que registrava 58,9 milhões de moradores em 1º de janeiro de 2025.
O declínio demográfico na Itália levará à perda de 13,1 milhões de habitantes até 2080, uma redução de 22% da população atual.
- A idade média da população italiana aumentará significativamente, com 34,5% dos habitantes tendo mais de 65 anos em 2050.
- A contribuição da imigração não será suficiente para compensar o saldo demográfico natural negativo, agravando a queda populacional.
De acordo com o Istat, a população italiana deve cair para 55 milhões em 2050 e, posteriormente, para 45,8 milhões em 2080. Essa projeção representa uma redução de 13,1 milhões de habitantes em apenas 55 anos, indicando uma tendência preocupante para o futuro do “Belpaese”.
A composição familiar também passará por transformações. O número de casais com filhos, que atualmente é de 7,5 milhões (28,1% do total), deve diminuir para 5,8 milhões até 2050, correspondendo a 21,1% das famílias. Em contraste, os casais sem filhos projetam um crescimento de 5,4 milhões (20,22%) para 5,9 milhões (21,24%) no mesmo período, refletindo mudanças nos padrões sociais e reprodutivos.
O envelhecimento populacional é outra conclusão central do relatório. A idade média dos italianos subirá de 46,9 anos em 2025 para 48 anos em 2030 e atingirá 51 anos em 2050. Nesse ano, a proporção de pessoas com mais de 65 anos será de 34,5% do total de habitantes, um aumento significativo em relação aos 24,7% registrados atualmente.
Quais as causas do declínio demográfico na Itália?
Apesar da contribuição, a imigração não será suficiente para frear o que o Istat chama de “inverno demográfico”. Historicamente, os imigrantes têm atenuado a queda populacional, mas as projeções indicam que essa dinâmica não será sustentável para reverter o cenário atual.
O Istat prevê uma queda no fluxo de entrada de estrangeiros na Itália. O número de imigrantes deve diminuir de 432 mil em 2025 para 423 mil em 2030 e 372 mil em 2050, antes de uma leve recuperação para 404 mil em 2080. Essa variação nos fluxos migratórios impacta diretamente o saldo populacional.
Paralelamente, a emigração de italianos para outros países, que totalizou 144 mil pessoas no ano passado, é projetada para aumentar para 176 mil em 2030, 169 mil em 2050 e 183 mil em 2080. Apesar disso, o saldo migratório, que considera a diferença entre chegadas e partidas, deve permanecer positivo, com 247 mil em 2030, 204 mil em 2050 e 221 mil em 2080.
As projeções do Istat podem ser revertidas?
Apesar do saldo migratório positivo, o Istat ressalta que essa contribuição não será suficiente para compensar o saldo demográfico natural, que é a diferença entre nascimentos e óbitos. Esse saldo foi de -296 mil em 2025 e deve piorar, chegando a -353 mil em 2030 e atingindo o pico de -570 mil em 2059. A previsão é que esse indicador permaneça negativo em todo o período analisado, evidenciando a gravidade do problema.
O número de nascimentos na Itália tem batido recordes negativos. Em 2025, o país registrou o menor índice de sua história, com apenas 355 mil nascimentos. A tendência de queda deve persistir, com estimativas de 335 mil em 2050 e alarmantes 281 mil em 2080, consolidando a crise demográfica que o país enfrenta. (ANSA)