A novela “Avenida Brasil” voltou à programação da TV Globo na última segunda-feira, 30, como parte da faixa ‘Vale a Pena Ver de Novo’. Exibida originalmente em 2012, a trama retoma espaço na TV aberta como um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira contemporânea.
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A história acompanha Rita — interpretada por Mel Maia na infância e por Débora Falabella na fase adulta —, que é abandonada pela madrasta Carminha, vivida por Adriana Esteves, após a morte do pai. Anos depois, já adulta, ela retorna com uma nova identidade para se infiltrar na casa da vilã e colocar em prática um plano de vingança.
Ao comentar o impacto da novela, Débora Falabella relembra a complexidade da protagonista, marcada por nuances que desafiam a divisão tradicional entre heroína e vilã.
“A Rita é movida por um espírito de vingança, mas também tem muita humanidade, acredita que o que está fazendo é certo. Em determinado momento da história, esses papéis começam a se inverter, e isso era muito interessante. Muitas vezes o público passava a olhar pra Rita quase como uma vilã, por conta dessa relação com a Carminha”, afirma.
“Ao mesmo tempo, ela era uma protagonista muito diferente do que a gente costuma ver: enquanto a antagonista era solar, expansiva, a Nina era mais soturna, mais contida. E isso foi um grande desafio dentro da novela e também pra mim, na construção como atriz”, completa.
Para a atriz, esse jogo de inversões é um dos elementos que ajudam a explicar a permanência da obra no imaginário popular. “E acho muito bonito que a novela tenha esse legado. Ela segue viva. Agora, com a reprise na TV, acredito que ainda mais pessoas vão voltar pra essa história. Foi realmente um marco na dramaturgia, e é uma novela que merece todo esse reconhecimento”, completa.
Intérprete de Jorginho, Cauã Reymond também destacou o caráter afetivo do retorno da novela à programação. “Fiquei empolgado ao saber da reprise, porque o ‘Vale a Pena Ver de Novo’ sempre teve um lugar de afeto para mim como espectador. Essas novelas marcantes nos conectam imediatamente ao passado, mexem com a memória afetiva. Mas não apenas isso: esse retorno à televisão permite apresentar a obra a um público novo e também assisti-la com outro olhar”, disse.
O ator relembrou ainda a dimensão do sucesso internacional da produção, que ficou evidente ainda durante sua exibição original. A novela foi indicada ao Emmy Internacional em 2013 e se tornou a mais exportada da Globo, sendo licenciada para mais de 140 países. “Percebemos muito cedo que estávamos fazendo parte de um projeto especial, mas esse alcance se materializou quando fomos assistir à exibição do último capítulo em Buenos Aires, num estádio absolutamente lotado, com uma recepção que eu nunca tinha visto na vida. Foi inesquecível”, afirmou.
Criada por João Emanuel Carneiro, com direção de núcleo de Ricardo Waddington, “Avenida Brasil” é considerada um marco da dramaturgia nacional e segue conquistando novas gerações com sua volta à TV aberta.