Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) protagonizaram, na noite de terça-feira (29), o último debate entre os candidatos ao governo de São Paulo antes do primeiro turno das eleições de 2026.
O encontro foi marcado por críticas mútuas, questionamentos sobre as respectivas trajetórias administrativas e pela nacionalização de parte das discussões, com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Segurança pública, saúde, situação fiscal, educação, transporte e privatizações estiveram entre os principais assuntos discutidos pelos candidatos.
Segurança abre confronto entre candidatos
Haddad iniciou o debate questionando Tarcísio sobre segurança pública e a atuação de organizações criminosas no interior e no litoral paulista.
O governador respondeu destacando operações realizadas contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), a redução de indicadores de criminalidade e as ações realizadas na região central da capital.
A discussão rapidamente avançou para as relações políticas dos dois candidatos.
Haddad mencionou a aproximação de Tarcísio com integrantes da família do ex-vereador Milton Leite, enquanto o governador respondeu citando políticos e outras pessoas associadas ao campo político do petista.
Os dois candidatos também reivindicaram participação de suas respectivas administrações em ações de combate ao crime organizado.
Saúde e economia entram no centro do debate
Na área da saúde, Haddad criticou as filas para atendimento e afirmou que o atual sistema estadual de regulação não consegue atender adequadamente à demanda.
Tarcísio respondeu mencionando a criação de novos leitos e a realização de cirurgias eletivas, além de direcionar críticas à passagem de Haddad pela Prefeitura de São Paulo.
O debate econômico também ganhou dimensão nacional.
Haddad questionou o governador sobre benefícios fiscais concedidos pelo Estado e criticou a situação das contas paulistas. Tarcísio rebateu afirmando que sua administração eliminou incentivos considerados inadequados e ampliou a transparência.
O governador, por sua vez, criticou a política fiscal do governo federal. Haddad defendeu as medidas adotadas durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda e citou a reforma tributária, o pagamento de precatórios e a queda do desemprego.
Educação rende momento de dificuldade para Haddad
Um dos momentos que mais repercutiram ocorreu durante a discussão sobre educação.
Haddad questionou indicadores da rede estadual e defendeu mudanças no ensino médio, enquanto Tarcísio mencionou programas de alfabetização, reforço do ensino de matemática e outras iniciativas de sua administração.
O governador citou ainda o reconhecimento obtido por São Paulo no Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, promovido pelo Ministério da Educação.
Haddad demonstrou desconhecer a certificação e ficou alguns segundos sem responder diretamente ao questionamento. Depois, afirmou que estava tratando dos indicadores educacionais do Estado. O episódio foi um dos momentos de maior dificuldade do petista durante o confronto.
A existência da certificação foi confirmada em checagens realizadas após o debate. Outras declarações dos dois candidatos, porém, apresentaram imprecisões ao longo do programa. Tarcísio fez afirmações questionadas sobre Cracolândia, quadro de funcionários da Sabesp e situação fiscal do Estado, enquanto Haddad apresentou informação incorreta ao tratar da evolução da poluição do rio Tietê.
Privatização da Sabesp provoca novo embate
A privatização da Sabesp também colocou os candidatos em lados opostos.
Haddad criticou a política de desestatizações do governo paulista e questionou os efeitos da privatização sobre os serviços públicos.
Tarcísio defendeu o modelo e afirmou que as concessões e privatizações têm como objetivo ampliar investimentos e melhorar a prestação dos serviços.
O petista também mencionou problemas relacionados ao abastecimento de água e acidentes registrados em obras. O governador lamentou as mortes e voltou a defender os investimentos realizados na expansão do saneamento.
Transporte público foi outro ponto de divergência. Tarcísio apresentou obras de expansão de linhas de metrô e trens, enquanto Haddad defendeu maior integração tarifária e destacou a participação de recursos federais em projetos de infraestrutura.
Lula, Bolsonaro e Flávio entram na discussão
Embora o debate fosse estadual, a eleição presidencial apareceu repetidamente no confronto.
Haddad procurou associar Tarcísio ao governo Bolsonaro, enquanto o governador direcionou críticas à administração Lula e às políticas econômicas do governo federal.
Nas considerações finais, os dois reforçaram suas alianças nacionais. Haddad destacou sua proximidade com Lula e fez críticas a Flávio Bolsonaro. Tarcísio reafirmou seu apoio ao candidato do PL à Presidência.
O confronto encerrou a sequência de debates entre os dois principais candidatos ao Palácio dos Bandeirantes antes da votação de domingo (4).
Da IstoÉ