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De volta à Bolívia, Evo Morales busca mais protagonismo

De volta à Bolívia, Evo Morales busca mais protagonismo

Ex-presidente boliviano Evo Morales participa de reunião junto com o atual presidente do país, Luis Arce, em 21 de novembro de 2020 - AFP/Arquivos

De volta à Bolívia depois de um ano no exílio, o ex-presidente Evo Morales está tentando reconquistar um papel de liderança na política nacional, que é vista por alguns como um esforço de cogestão com seu herdeiro no poder Luis Arce.

Oito dias após retornar da Argentina, Morales reassumiu a liderança do Movimento ao Socialismo (MAS), que voltou ao poder um ano após a queda do primeiro governante indígena do país andino.

Chamado de “chefão” por seus partidários, Morales exerceu forte liderança no MAS durante seus 14 anos de mandato (2006-2019). Por isso, alguns acreditam que a retomada da liderança da sigla é um sinal de que ele busca “cogovernar” com Arce.

Morales “parece cogovernar com o governo, porque começa a emitir julgamentos sobre políticas públicas (…) como se fosse ele fizesse parte. Não quer renunciar a seu papel de autoridade”, disse à AFP a socióloga María Teresa Zegada.

O ex-presidente encarna “uma presença pessoal muito forte que, em 14 anos de governo, desempenhou um papel fundamental”, e o MAS “se caracteriza por um forte caudilhismo em torno de Morales”, acrescenta.


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“Voltou ao país muito rápido, porque precisava resolver três coisas: as denúncias (judiciais) contra ele (…); assumir a condução política de seu partido; e definir as relações entre seu partido e o governo”, afirmou o analista político Carlos Borth.

Morales agora “está tentando estabelecer um cenário de relacionamento entre o caudilho, a organização política e o governo”, acrescenta.

Borth acredita que as ações do ex-presidente começam a incomodar Arce, pois “há um jogo de xadrez entre o presidente e Evo Morales. Cada um tem suas fichas, seus peões, seus bispos, seus líderes regionais”.

– “Ceder espaços?” –

O ex-ministro de Governo (Interior) Carlos Romero, um colaborador próximo do líder do MAS, afirma que, embora Arce seja o governante “legítimo” da Bolívia, “a direção política estratégica do processo é de Evo Morales”.

O ex-presidente de 61 anos liderou uma reunião do partido no último fim de semana para definir a estratégia do MAS nas eleições para governador e prefeito de março de 2021.

Esta estratégia de campanha começa a ser esboçada, enquanto algumas vozes do MAS criticam Arce por ter excluído de seu gabinete homens próximos ao “chefão”.

É o caso do ex-ministro Juan Ramón Quintana, que passou um ano refugiado na residência mexicana em La Paz durante o governo interino de direita. Ele defende que Arce incorpore nomes próximos a Morales ao governo.

O ex-presidente de centro Carlos Mesa, principal rival da Arce nas últimas eleições, diz que o novo presidente enfrenta a encruzilhada de ceder, ou não, mais espaços de poder ao ex-presidente.

“Morales e os seus voltaram para, uma vez conquistado o governo, retomar todo poder”, aponta Mesa, que liderou o país de 2003 a 2005.

“Será preciso ver se Arce tem alguma intenção de governar de verdade, ou se concorda em ceder espaço ao ex-presidente e às suas forças corporativas”, completa.

– Recordista –

Líder dos aguerridos “cocaleros” do Chapare, na região central de Cochabamba, Morales se tornou presidente em 2006. Seus 14 anos de mandato fizeram dele um “recordista”, como o presidente boliviano com mais tempo no poder.

Foi reeleito em 2010 e 2015, mas, em fevereiro de 2016, perdeu um referendo em que pretendia ser requalificado como candidato para o período 2020-2025.

Um ano e meio depois, uma polêmica decisão do Tribunal Constitucional permitiu que ele fosse candidato novamente, argumentando que era um “direito humano”.

Morales buscou seu quarto mandato consecutivo em outubro de 2019, sob as críticas de seus adversários de que estava tentando se perpetuar no poder por tempo indeterminado.

Oficialmente, ele ganhou, mas essas eleições foram denunciadas como fraudulentas pela oposição. Protestos surgiram em todo país, deixando pelo menos 35 mortos.

Três semanas depois, os chefes militares e de polícia retiraram todo apoio, levando Morales a renunciar e a buscar asilo no México. Na sequência, refugiou-se na Argentina, de onde voltou ao país em 9 de novembro, após a esmagadora vitória eleitoral de Arce.

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