Esportes

De olho em 6ª Olimpíada, velejadora Fernanda concilia maternidade com treinos


O Brasil subiu ao pódio nas três etapas da temporada de Vela. Na classe 470 feminina, a medalhista olímpica Fernanda Oliveira e a parceira Ana Luiza Barbachan somam uma medalha de ouro e uma de bronze. As duas conciliam a disputa da Copa do Mundo e as exigências da maternidade: Fernanda tem dois filhos, a Roberta, de cinco anos, e o Arthur, de dois.

Às vezes, os filhos vão junto para as competições. No ano passado, Fernanda teve de ir à noite para o hospital em Marselha, pois o Arthur estava com dor de ouvido. Em 2015, Roberta cortou a testa após uma queda em Palma de Mallorca. Chegou em cima da hora à praia e foram a melhor equipe na água naquela dia do Troféu Princesa Sofia.

Além dos imprevistos, é difícil contornar o fuso horário. Fernanda já teve de competir depois de passar a noite em claro com as crianças. “Tenho sorte de contar com pessoas que me ajudam muito. A Ana é incansável, meu marido sempre esteve ao meu lado e tive anjos brancos, as babás, que me ajudaram a seguir velejando”, conta.

Em algumas provas, Ana chega mais cedo. “Eu vou um dia antes dela para deixar tudo pronto para ela chegar e colocar o barco na água e velejar, que é a parte mais importante. Ela faz o contato com a confederação e procura os recursos para a campanha”, conta Barbachan, certa de que os bons resultados são fruto desse entrosamento. “São dez anos de parceira. A gente se complementa”, diz.

Aos 38 anos, Fernanda vai tentar chegar à sua sexta Olimpíada seguida. Sua grande façanha foi a medalha de bronze ao lado de Isabel Swan, em Londres (2012). A classe 470 não estará no Pan deste ano. “Sou privilegiada por trabalhar com uma coisa que amo. Nunca achei que poderia chegar à tantos Jogos.”

A Olimpíada do Rio, no qual ficaram em oitavo lugar, deixou uma lição para a filha Roberta, que já ensaia seguir os movimentos da mãe na vela. “Ela perguntou porque eu estava chorando e quis saber sobre a medalha. Eu disse que provavelmente não ganharia, mas que continuaria tentando. Falei que a gente não desiste”, conta a mãe.

Um ano depois, na hora da refeição, o assunto voltou. Na hora de tirar o ovo da frigideira, ele começou a se abrir porque estava sem óleo. “Não sei se o ovo vai ficar tão bonito”, disse a mãe para a filha. “Não sei se vou conseguir”. A menina respondeu: “Mãe, não desiste. Lembra que você me falou no Rio de Janeiro que a gente nunca desiste?”.

Formada em Administração de Empresas, Fernanda conta que a grande sacada para ter uma vida longa no esporte de alto rendimento foi nunca ter deixado a vida pessoal de lado.


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