ROMA, 2 FEV (ANSA) – Já se passaram mais de 100 anos desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, que, de um evento para uma pequena elite de entusiastas, se transformaram em um acontecimento intercontinental e com participação até de países sem tradição em esportes de neve e gelo, como o Brasil.
A honra da estreia, em 25 de janeiro de 1924, coube à estação de esqui francesa de Chamonix. À sombra do Mont-Blanc (ou Monte Bianco, em italiano), competiram 258 atletas, sendo apenas 13 mulheres, de 16 nações diferentes. Era, na verdade, a “Semana Internacional de Esportes de Inverno”, mas, em 1925, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu rebatizar o evento, nomeando-o como os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno.
Ao todo, já foram realizadas 24 edições, com uma interrupção entre Garmisch-Partenkirchen 1936 (Alemanha) e St. Moritz 1948 (Suíça) por conta da Segunda Guerra Mundial ? as Olimpíadas de Milão e Cortina d’Ampezzo, a partir de 6 de fevereiro, serão a 25ª.
Essa é a terceira vez que a Itália sedia o evento, juntando-se às edições de 1956, na mesma Cortina, e 2006, em Turim. Organizados até 1992 no mesmo ano das Olimpíadas de Verão, os Jogos de Inverno foram então antecipados em dois anos para acabar com a sobreposição.
Dessa forma, após Albertville 1992 (França), passaram-se apenas dois anos até Lillehammer 1994 (Noruega), edição em que a Itália atingiu seu recorde de medalhas, com 20 pódios, incluindo sete ouros, cinco pratas e oito bronzes.
O “Belpaese” participou de todas as edições dos Jogos de Inverno, acumulando um total de 141 medalhas, sendo 42 de ouro, 43 de prata e 56 de bronze. O quadro de medalhas histórico é liderado pela Noruega, com 405 (148 de ouro, 134 de prata e 123 de bronze), seguida pelos Estados Unidos, com 330 (114 de ouro, 121 de prata e 95 de bronze), e pela Alemanha, com 267 (105 de ouro, 97 de prata e 65 de bronze). Os EUA são o único país que venceu pelo menos um ouro em todas as edições.
Assim como os Jogos de Verão, os de Inverno também cresceram em tamanho e interesse: dos 258 atletas e 16 eventos com medalhas em Chamonix 1924, o número passou para mais de 3,5 mil competidores de 93 países em Milão-Cortina 2026, disputando 195 medalhas em 16 disciplinas olímpicas, com a novidade da estreia do esqui-alpinismo, e seis esportes paralímpicos.
O esqui alpino, considerado a disciplina rainha da neve, estreou apenas em Garmisch 1936, com o combinado masculino e feminino. A Itália conquistou sua primeira medalha nos Jogos de Inverno de 1948, com o ouro de Nino Bibbia no skeleton. Já o primeiro título no esqui alpino foi o do lendário Zeno Colò no downhill, em Oslo 1952 (Noruega).
Entre as mulheres, destaca-se Deborah Compagnoni, com três medalhas de ouro em três edições consecutivas dos Jogos, feito inédito e nunca igualado no feminino: no Super-G de Albertville 1992 e no slalom gigante de Lillehammer 1994 e Nagano 1998 (Japão). Além disso, ela ainda faturou uma prata no slalom em Nagano.
No gelo, a rainha é a patinadora de velocidade em pista curta Arianna Fontana, a quarta mais premiada de todos os tempos nos Jogos Olímpicos de Inverno, contando homens e mulheres (e a primeira italiana), com 11 medalhas: duas de ouro, quatro de prata e cinco de bronze.
Em Milão-Cortina 2026, aos 35 anos, ela tentará adicionar novas conquistas a uma trajetória que começou em Turim 2006, quando era pouco mais que uma criança.
Luge (17 medalhas) e bobsled (12) são as disciplinas que mais deram medalhas à Itália nas Olimpíadas de Inverno, dominadas, respectivamente, por dois fora de série como Armin Zoggeler (dois ouros, uma prata e três bronzes) – único atleta a subir no pódio em seis edições consecutivas em uma mesma disciplina individual, de Lillehammer 1994 a Sochi 2014 (Rússia) – e Eugenio Monti, vencedor de seis medalhas (duas de cada cor) entre Cortina 1956 e Grenoble 1968 (França). (ANSA).