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De canceladora a cancelada: veja análise das polêmicas de Karol Conká no ‘BBB’

Crédito: Reprodução/Instagram

Karol Conká mostrou que os ‘canceladores’ também podem ser ‘cancelados’. O termo cancelar – usado nas mídias sociais para repudiar uma atitude negativa de algum famoso – tomou ainda mais uma grande proporção com a participação da rapper curitibana no Big Brother Brasil 21, que vem causando raiva e revolta nos telespectadores do reality show da Globo.

Ela, que aqui fora sempre levantou a bandeira do feminismo e do racismo, está sendo considerada completamente tóxica, abusiva, preconceituosa, manipuladora e a vilã nesta edição do programa.

A IstoÉ Gente entrevistou especialistas que explicaram o comportamento de Karol Conká na atração e como isso pode interferir em seu lado pessoal e profissional daqui pra frente.

Comportamento tóxico

A cantora protagonizou uma das piores cenas do BBB, até o momento, ao assediar moralmente o ator Lucas Penteado. Durante uma refeição, ela ordenou que ele não comece na mesa com ela e os outros brothers da casa, além de xingá-lo de palavras depreciadoras. A forma agressiva como Conká se referiu a Lucas causou nele uma profunda humilhação, que o fez imediatamente se isolar e chorar sozinho no quarto.

Conversamos com a neuropsicanalista da USP Priscila Gasparini Fernandes, que falou como o comportamento dela pode interferir na saúde mental de Lucas. “O que Karol Conká fez com ele pode tomar grandes proporções na saúde mental do Lucas. O ator de excluir e agredir mexe diretamente com a autoestima, o equilíbrio emocional e a ansiedade, podendo gerar um grande trauma, que desencadeia depressão e até mesmo transtorno do pânico”, disse a doutora.

Gasparini também frisou a importância da ajuda e acompanhamento médico que ele precisa ter no programa após esses acontecimentos. “A psicóloga do programa terá bastante trabalho, a começar por amparar o Lucas, acolhendo e entendendo sua dor, e mostrar a ele que, independentemente do que ele fez, tem o mesmo direito a igualdade e respeito de todos os demais. Acredito que ela poderia o aconselhar a trabalhar melhor a comunicação, no caso de arrependimento, falar a respeito, pedir desculpas a todos, e também trabalhar os limites, até onde ele permite que ela aja assim com ele, fazê-lo enxergar que os limites são impostos por nós, ou seja, até onde permitimos que os outros ultrapassam as nossas barreiras do conforto mental.”   

A especialista ainda falou sobre o comportamento de Karol lá dentro, sendo que do lado de fora sempre vendeu uma imagem diferente. “Karol Conká é militante e ativista, e luta por diversos temas dos direitos humanos, porém em um dado momento no BBB ela apresentou um desequilíbrio emocional. Na hora da raiva teve uma atitude agressiva e segregadora contra o Lucas, praticando assédio moral, sendo extremamente inconveniente e ofensiva com ele. Nada justifica o que ela fez, todos merecem respeito e igualdade no tratamento. Acredito que seja um conteúdo que ela deva tratar em terapia, pois vai contra toda a postura dela na mídia, de igualdade e respeito.”

A psicóloga conclui comentando o fato de os telespectadores ficarem chocados, angustiados e com crise de ansiedade ao ver a atitude de Karol Conká no BBB. Nas redes sociais, os internautas chegaram até a subir a hastag #HumilhaçãoNãoÉEntretenimeno.

“Os telespectadores se identificam com seus ídolos e, ao assistirem o programa, vivenciam a situação com uma carga emocional própria, como se realmente eles estivessem ali. Nesse caso de brigas e tensões na casa do BBB, muitos telespectadores tiveram reações emocionais, pois se incomodaram com a forma agressiva e discriminatória com que Karol Conká agiu com Lucas. Em muitos casos, se identificam com a injustiça e a segregação, e por isso existiram vários relatos de crises de ansiedade que foram desencadeados nos telespectadores”, concluiu.

Falas preconceituosas

Além de Lucas, ela também foi xenofóbica ao se referir ¡a sister Juliette, que é da Paraíba, como mal educada por ter nascido no estado do Nordeste e imitou a fala da advogada.

Karol Conká ainda mostrou seu preconceito contra as religiões. Disse que iria fazer uma roda ao redor de Lucas para rezar um “Pai Nosso”, além de perguntar para ele: “Onde está seu Deus para te ajudar neste momento de loucura?”. 



Carreira afetada

Com todas essas polêmicas envolvendo seu nome negativamente, a artista está tendo um grande declínio em sua carreira artística. Karol, que tinha quase 2 milhões de seguidores no Instagram, já perdeu mais de 300 mil na plataforma, foi suspensa de seu programa ‘Prazer Feminino’, no canal GNT, e teve a presença cancelada no festival pernambucano Rec-Beat. Um fã-clube decidiu deixar de apoiá-la e desativou o perfil que tinha no Twitter.

Segundo Higor Gonçalves, jornalista especializado em gestão estratégica de imagem e marca pessoal (personal branding), ela vai ter um trabalhão para gerenciar a crise e retomar os trabalhos.

Karol Conká terá o desafio gigantesco de reconstruir a própria imagem pública. Fazer um ‘rebranding’, que, tecnicamente, são estratégias de marketing voltadas ao reposicionamento no mercado. Analisando os últimos episódios à luz da gestão da imagem, Conká precisará reconhecer os erros cometidos durante a passagem pelo BBB21, ser transparente ao lidar com os equívocos, assumir as responsabilidades que lhes couberem e, principalmente, adotar uma nova postura coerente com aquilo que prega. Não vai ser tarefa fácil. Mas, também não será impossível. O público que ‘cancela’ também é o que ‘perdoa'”, disse.

“Os objetivos de uma figura pública que se predispõem a participar de um reality show quase sempre são os mesmos: apresentar-se a antigos e novos públicos, difundir a própria imagem, promover projetos profissionais, e, consequentemente, atrair mais fãs, patrocinadores e rendimentos. Nem todas, porém, conseguem capitalizar de modo eficaz a alta exposição dentro de um programa do gênero. Algumas, inclusive, saem ‘queimadas’ da experiência. É o caso da Karol Conká no BBB21. Devido a atitudes e posturas que vêm sendo tomadas dentro do programa, perante os demais participantes, a artista está decepcionando e causando revolta em milhões de pessoas fora da casa. Isto é muito grave para alguém que, como ela, vive da própria imagem”.

“Conká está sendo acusada pelo público de xenofobia, arrogância e intolerância. São ‘rótulos’ graves, pesados, para quem é conhecida pela referência e ‘militância’ na luta contra desigualdades sociais. A Karol está arruinando a imagem, a trajetória e o prestígio construídos e acumulados ao longo do tempo. Está agindo em contradição com o que sempre pregou. À luz da gestão de imagem, ela está em processo acelerado de desconstrução da própria persona pública. Está perdendo fãs, prestígio, contratos e dinheiro. Precisa fazer um ‘rebranding’ quando deixar a casa. Mas, os danos, alerto, podem ser irreversíveis”, explica o profissional.

Gonçalves finalizou falando da imagem da artista. “Karol Conká pautou a sua carreira e a sua imagem pública a partir de referenciais como antifascismo e antirracismo. O posicionamento da artista, a sua “bandeira”, mensagem-central, é a igualdade entre as pessoas. A partir do momento em que, dentro do reality, passa a ser acusada de xenofobia e intolerância para com outros participantes, Karol destrói o conceito elaborado ao longo do tempo”.

“O público brasileiro enaltece a humildade e pune a arrogância, imagem que a cantora, inconscientemente, vem transmitindo às pessoas por achar que é poderosa fora da casa, e que, portanto, domina o jogo dentro dela. Karol está arruinando a própria popularidade. O seu maior “ponto fraco” é a incoerência demonstrada pela falta de empatia com os colegas de confinamento (ela sempre defendeu a empatia). O público odeia incoerência: se sente decepcionado por achar que foi “enganado” e “traído”.  A “punição” vem na forma de “cancelamentos”. Conká tem grandes chances de se tornar a vilã do BBB21, e sair completamente “queimada”, o que poderá prejudicá-la profissionalmente ainda mais, como já vem acontecendo. Os prejuízos podem ser irreparáveis”.

 

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