Cultura

Das tirinhas às telas

O diretor Otto Guerra conta como adaptou as tirinhas “Piratas do Tietê”, de Laerte, para filmar “A cidade dos piratas"

Crédito: Divulgação

"A cidade dos piratas" (Crédito: Divulgação)

O cineasta e animador Otto Guerra se prepara para concluir um projeto que tomou conta de quase 30 anos de sua vida, após ter contato com alguns dos maiores cartunistas do Brasil. “A Cidade dos Piratas” se inspira nos “Piratas do Tietê”, de Laerte, um dos clássicos das tirinhas de jornal e dos quadrinhos brasileiros.. A animação terá distribuição nacional no Brasil como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Brasília e, Goiânia e estreia em 31 de outubro.

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ISTOÉ conversou com ele. :

Por que os “Piratas do Tietê” e a Laerte para inspirar este filme?

É a conclusão de uma trilogia. Fiz um filme para cada um dos três amigos, “Rocky & Hudson” baseado nas personagens do Adão Iturrusgarai, “Wood & Stock” nas do Angeli e agora esse inspirado na Laerte. É um projeto que começou há 25 anos, quando o Adão trabalhava em São Paulo e eu conheci os outros dois. A partir daí foi uma grande identificação com o universo deles. Sugeri fazer os filmes e rolou. Fazer três longas sobre isso é algo que nunca pensei para minha vida. Apresentei a ideia e registramos na biblioteca nacional, a partir daí produzimos muita coisa paralela, fiz outros filmes e séries. Concluo agora com a Laerte a “trilogia dos três amigos”, mesmo que ela não goste mais das personagens dos anos 80 em que baseamos o filme.

Foram tantos anos em produção. Algum problema com o financiamento do filme?

A nossa legislação de renúncia fiscal, no audiovisual brasileiro, chegou num patamar que nunca pensei, é inacreditável. Teve percalços naturais, fazer coisas que não tem grana suficiente ou querer pagar melhor as pessoas, mas por enquanto não teve nenhum entrave. Agora está mudando bastante, a Ancine está de fato com só um diretor, quase parada. Esse é o momento atual. Como histórico, está excelente. È uma grande indústria. Por isso temos produtos audiovisuais ganhando prêmios em tudo que é país. O momento era ótimo, até agora.

E como ele dialoga com o momento efervescente que o Brasil está vivendo?

É incrível porque a Laerte parece que tem uma bola de cristal. No filme tem um político que fica colocando em botijões o excedente de ódio dele, um depósito imenso de ódio! O roteiro é de 2013, quando não havia todo esse ódio entre brasileiros à direita e à esquerda. Também abordamos a questão da ditadura gay no filme, o “medo” e alvoroço dessa ditadura, falamos desse “perigo” e brincamos com isso. A piada é ótima para abordar essas bobagens. Os “Piratas do Tietê” não assumem em si essas discussões de machismo e homofobia. Em todo esse processo a Laete se assumiu transgênero e eu tive um câncer em 2013, bem grave, achei que morreria. Aí chutei o pau da barraca e fiz o filme que quis fazer. Os piratas viraram o universo atual dela, que lida com questões LGBT e hipocrisia política. Foi uma coincidência. Tudo bateu, parece que ela adivinhou o que ia acontecer

 

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