Ex-líder da centro-esquerda italiana revela luta contra Parkinson

Ex-ministro da Cultura e senador do PD fez a revelação em entrevista ao Corriere della Sera

Imagem ilustrativa
Foto: Imagem ilustrativa

O ex-líder da centro-esquerda italiana Dario Franceschini, 67 anos, revelou publicamente que luta há seis anos contra a doença de Parkinson. O anúncio, feito em entrevista ao jornal Corriere della Sera, gerou uma onda de solidariedade entre expoentes políticos de diferentes espectros, conforme divulgado em 31 de agosto pela agência ANSA.

  • O ex-líder italiano Dario Franceschini, 67 anos, revelou publicamente que enfrenta a doença de Parkinson há seis anos.
  • O diagnóstico, feito em novembro de 2020, foi descrito como um “golpe tremendo” pelo senador do Partido Democrático.
  • Apesar da condição, Franceschini planeja manter suas atividades políticas, pois a doença afeta o corpo, mas não as capacidades cognitivas.

“Tenho Parkinson. Fui diagnosticado em novembro de 2020”, afirmou o senador do Partido Democrático (PD), ex-ministro da Cultura e ex-secretário nacional da legenda.

“O diagnóstico foi um golpe tremendo. Tive um infarto em 2014, além de outros problemas de saúde que se resolveram. Mas aquilo eram solavancos no caminho. Parkinson é uma doença diferente: fica com você para sempre”, acrescentou Franceschini, destacando a natureza incurável da enfermidade.

Inicialmente, o político tentou esconder a condição. “Quem tem Parkinson tende a sentir vergonha. Fala com dificuldade, arrasta as palavras, caminha sem firmeza, como se tivesse bebido. Outros são sacudidos por tremores incontroláveis”, descreveu.

Por que a revelação é tão importante?

Apesar do estigma, Franceschini destacou a importância de manter-se ativo. “É fundamental não desanimar, acordar de manhã com algo a realizar. Para combater o Parkinson, além dos medicamentos, é crucial preencher os dias e dizer a si mesmo: não vou desistir, vou continuar vivendo, vou continuar presente”, disse.

Foi essa convicção que o levou a falar abertamente sobre a doença. “Falar publicamente sobre minha condição, claramente, é muito difícil para mim. Mas pensei muito: pesando prós e contras, me convenci de que é justo descrever esta fase da minha vida para dizer a todos os outros pacientes com Parkinson que não se isolem e continuem vivendo”, explicou.

Segundo Franceschini, ele vai manter a atividade política, já que “o Parkinson afeta o corpo, e não as capacidades cognitivas”.

Solidariedade e apoio político

A revelação provocou reações imediatas e uma ampla onda de apoio. O líder da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), Angelo Bonelli, classificou o depoimento como um exemplo de “dignidade e coragem”. Já o líder do partido centrista Ação, Carlo Calenda, expressou “profunda solidariedade” e lembrou que seu avô, o cineasta Luigi Comencini, também lutou contra o Parkinson e continuou a fazer filmes mesmo doente.

O presidente do populista Movimento 5 Estrelas (M5S), o ex-premiê Giuseppe Conte, também se pronunciou, elogiando a “grande perseverança e a sensibilidade institucional” de quem foi seu ministro da Cultura entre 2018 e 2019. “Precisamos de você; sua determinação em não deixar que as dificuldades o dominem é importante, assim como a luta que todos podemos travar juntos em prol daqueles que enfrentam desafios diários de saúde”, afirmou Conte.

A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico crônico, progressivo e incurável que afeta o sistema nervoso central e compromete o controle dos movimentos do corpo. A luta contra essa condição é uma realidade para muitas personalidades, como a esposa do ator Terry Crews, que recentemente revelou conviver com Parkinson há mais de dez anos, destacando a importância da conscientização e apoio.

Da IstoÉ com ANSA