Cultura

Dante Mantovani volta à presidência da Funarte após ser exonerado em março

O maestro Dante Henrique Mantovani está novamente na presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Após dois meses da sua exoneração, ele voltou ao cargo. A nomeação consta em publicação do Diário Oficial, de segunda-feira, 4, assinada pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto.

Mantovani foi demitido no mesmo dia, 4 de março, em que Regina Duarte assumiu a Secretaria Especial da Cultura no governo do presidente Jair Bolsonaro. Regina já havia anunciado a exoneração dele e de outros nomes da secretaria no dia anterior à posse.

A primeira nomeação do maestro havia sido no dia 4 de novembro do ano passado, quando foi exonerado o pianista Miguel Angelo Oronoz Proença, ainda na gestão do antecessor de Regina, Roberto Alvim, que foi demitido na sequência após fazer discurso com apologia ao nazismo. Em vídeo sobre o Prêmio Nacional das Artes de 2020, o então secretário da Cultura parafraseou Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler.

Polêmicas

Especialista em Filosofia Política e Jurídica, Mestre em Linguística, Dante Mantovani mantém um canal no YouTube, em que faz vídeos sobre música e responde perguntas de seus seguidores.

Em alguns desses conteúdos, ele faz afirmações que levantam questionamentos. Uma das mais simbólicas ocorreu quando o maestro disse que o “rock ativa as drogas, que ativam o sexo livre, que ativa a indústria do aborto, que ativa o satanismo”.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele defendeu a lei Rouanet e disse que Bolsonaro valoriza a arte “como nunca antes no País”.

Outra polêmica se deu quando a Funarte divulgou um edital para anunciar o Prêmio de Apoio a Bandas de Música. O documento chamou a atenção por proibir a participação de alguns tipos de banda, incluindo as de rock.

Instabilidade de Regina

A segunda nomeação de Dante Mantovani desponta num período em que Regina Duarte vem sofrendo constantes ataques de setores bolsonaristas. Na última semana, Jair Bolsonaro chegou a criticar a secretária.

Em conversa com apoiadores na frente do Palácio da Alvorada, o presidente reclamou da ausência de Regina em Brasília, apesar de dizer, em seguida, que também ama a “namoradinha do Brasil”.

Apesar de afirmar que ninguém no seu governo vive sob tensão, Bolsonaro fez um comentário enigmático quando lhe perguntaram sobre mudanças na equipe. “Só não pode mudar o presidente e o vice, né? O resto…”

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