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Danos em petroleiro na Venezuela geram temor de desastre ambiental

Danos em petroleiro na Venezuela geram temor de desastre ambiental

Imagem de vídeo da organização Fishermen and Friends of the Sea (FFOS) mostra o navio-tanque venezuelano danificado, parcialmente adernado no Golfo de Paria, em Trinidad e Tobago, em 22 de outubro de 2020 - ESN/AFP

Danos em um navio-tanque no Caribe poderiam provocar “um desastre ambiental” se não for descarregado o 1,3 milhão de barris de petróleo que armazena, denunciam dirigentes opositores e sindicalistas petroleiros.

Fotos do navio Nabarima adernado, com vários metros de sua linha de flutuação afundados no mar, geraram preocupação depois de terem sido divulgadas na semana passada por uma organização ambientalista nas redes sociais.

A estatal PDVSA, no entanto, negou previamente que as condições do navio possam representar “uma ameaça para o ecossistema da região”.

A embarcação, com 264 metros de comprimento, uma unidade de armazenamento no mar para carregar petroleiros, está no Golfo de Paria (estado de Sucre, oeste), nas águas da Venezuela, perto de Trinidad e Tobago.

“Se o petróleo não for transvasado, embora possam estabilizar o Nabarima, vai haver permanentemente o risco de um desastre ambiental”, declarou nesta quarta-feira à AFP o parlamentar da oposição Robert Alcalá, que denuncia que a manutenção do navio foi abandonada em 2014.

O Nabarima pertence à Petrosucre, empresa mista, com 74% de ações da PDVSA e 26% da companhia italiana Eni S.p.A.

Duas embarcações, Ícaro e Inmaculada, teriam sido enviadas ao local pela PDVSA, supostamente para descarregar o petróleo armazenado, disse à AFP outro legislador opositor ao governo de Nicolás Maduro, Luis Stefanelli. A informação não foi confirmada pela estatal.

Há tempos, a situação do Nabarima é alvo de denúncias.

O sindicalista petroleiro Eudis Girot comentou à AFP na quarta-feira que os problemas de manutenção no navio começaram em 2014, mas “foram ignorados” pela PDVSA. Em 12 de agosto, um grupo de trabalhadores denunciou que o navio tinha uma inclinação de 8%, com sua sala de máquinas inundada e suas bombas para retirada de água queimadas.

No entanto, em setembro, um comunicado da PDVSA qualificou os alertas de “fake news”.

“Este navio-tanque possui todas as condições operacionais e de segurança e não constitui, de forma alguma, ameaça ao ecossistema”, disse.

Segundo Girot, PDVSA e Eni alegam que as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos à Venezuela e sua petroleira têm criado obstáculos para as possibilidades de trasladar o petróleo.

“Não há desculpas para que este petróleo permaneça no Nabarima, as sanções não podem ser desculpas, o petróleo tem que ser tirado dali para evitar uma tragédia”, manifestou-se o dirigente sindical.

As denúncias de danos ambientais por falta de manutenção de instalações são frequentes, em meio ao colapso da indústria petroleira da Venezuela.

A costa oeste do país foi afetada em agosto, setembro e outubro por vazamentos de hidrocarbonetos em dois de seus principais centros de refino de combustíveis, Paraguaná (estado de Falcón) e El Palito (Carabobo), que o governo socialista tenta reativar devido a uma severa escassez de gasolina.

A produção de petróleo na Venezuela passou de 3,2 milhões de barris por dia há 12 anos para 400.000 barris na atualidade.

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