A dama de poucos amigos

Ela foi, ao lado da Religião, o motivo de muita coisa boa e também o pretexto para muitos crimes horríveis ao longo da História. Em seu nome, por exemplo, milhares foram guilhotinados durante o Terror jacobino na Revolução Francesa. Ela é citada para justificar as maiores atrocidades, mas também serve como combustível para os atos mais heroicos contra tiranias mundo afora.

Lord Acton, escrevendo sobre sua história, reconheceu que ela teve, em todos os tempos, poucos amigos sinceros, que esses sempre foram raros, apesar de tantos que usam seu nome com frequência. Seus triunfos, diz Acton, foram devidos a minorias, que prevaleceram ao associar-se com auxiliares cujos objetivos muitas vezes diferiam dos seus.

Mas ele admite que tais associações, sempre perigosas, foram algumas vezes desastrosas, ao dar aos seus inimigos motivos justos de oposição, e permitindo a disputa sobre seus méritos na hora do sucesso. Quando ela finalmente se mostrou vitoriosa, nunca de forma plena, muitos ignoravam que era ela a responsável pelo feito; e quando vinha desgraça, era ela quem levava a má fama, fomentando o avanço de sua maior inimiga, a tirania.

Ó, Liberdade, quão poucos amigos tu tens de verdade! 

Que a esquerda representa seu maior adversário, isso está claro para quem estudou história (não com os seguidores de Paulo Freire, mas com gente séria). Só que, infelizmente, ela também não tem tantos amigos assim na direita – ou naquilo que se chama direita em nosso País. Para amá-la é preciso certa dose de coragem, até para assumir os riscos dessa paixão. Poucos parecem dispostos a tanto.

Eis, talvez, a principal causa pela qual tanta gente se afasta dela: a busca por interesses imediatos, pela sensação de segurança e conforto no curto prazo. Os fins justificam os meios: a expressão mais nefasta à sua causa. Além disso, a idolatria a gurus e mitos é incompatível com um relacionamento saudável com ela, que exige maturidade como contrapartida aos seus incríveis encantos. Maturidade e, claro, fidelidade.

Alguns casos recentes no Brasil mostram como ela é rejeitada em nosso País. Quando censuraram um livro de ficção de um pseudônimo Eduardo Cunha, por exemplo, o editor reclamou da falta de solidariedade dos seus pares. É que ele é um “editor de direita”, então tudo bem censurá-lo.

Quando um jornalista ligado aos tucanos teve uma conversa vazada de forma criminosa expondo essa ligação umbilical, muitos vibraram. Afinal, ele atacava histericamente a tal “direita xucra”. Mas reparem: essa turma se mostrou xucra mesmo ao agir assim, sacrificando princípios em prol de interesses. Quem é alvo importa mais do que como tomamos conhecimento da coisa. Não pode ser assim. Ao menos não para quem a ama.

 


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