Em meio ao fervor de centenas de pessoas, o Dalai Lama, líder espiritual tibetano de 88 anos, chegou neste domingo (23) a Nova York, onde deve se submeter a um tratamento de joelho, comprovou a AFP.

No início de junho, seu escritório em Dharamsala, cidade situada aos pés do Himalaia no norte da Índia, onde está exilado desde 1959, anunciou que o Dalai Lama viajaria aos Estados Unidos para receber “tratamento nos joelhos”, sem dar mais detalhes.

Não há informação tanto sobre a data como sobre a natureza do procedimento ao qual ele será submetido.

Segundo a agenda publicada por seu escritório, Tenzin Gyatso, nome real do líder religioso, não tem nenhuma atividade prevista até 6 de setembro.

Centenas de fiéis, muitos vestidos com o traje típico tibetano, aguardavam sob um calor sufocante nos arredores do Hotel Park Hyatt, próximo do Central Park, desde as primeiras horas da manhã para ver seu líder espiritual e receber sua “bênção”, em meio a fortes medidas de segurança.

“Me senti realmente poderosa quando o vi!”, exclamou Tenzin Pasang, que, como muitos tibetanos, tem o primeiro nome do carismático Dalai, a quem viu pela terceira vez.

“Todo o mundo estava muito emocionado já que é nosso líder”, declarou à AFP esta jovem de 18 anos nascida nos Estados Unidos. “É muito agradável vê-lo em Nova York”, acrescentou.

A China, que anexou o Tibete em 1950, criticou a visita através de sua embaixada na Índia, classificando o Dalai Lama de “exilado político imerso em atividades separatistas sob o pretexto da religião”.

Antes de viajar a Nova York, o líder espiritual tibetano recebeu na quarta-feira em Dharamsala um grupo de legisladores americanos, entre eles a ex-presidente democrata da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

O Congresso americano aprovou recentemente um texto que incentiva Pequim a retomar o diálogo com os dirigentes tibetanos, interrompido desde 2010.

Muitos exilados tibetanos temem que a China nomeie um sucessor do Dalai para consolidar sua influência nesse território do Himalaia.

O Dalai Lama, que fugiu de seu país em 1959, pôs fim em 2019 aos poderes políticos de seu status, que cedeu a um governo tibetano no exílio eleito democraticamente por cerca de 130.000 tibetanos ao redor do mundo.

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