Da ligação à ameaça de impeachment, as datas do escândalo que sacode os EUA

Da ligação à ameaça de impeachment, as datas do escândalo que sacode os EUA

Do telefonema que passou praticamente despercebido até a ameaça cada vez mais concreta de um explosivo processo de julgamento político contra o presidente Donald Trump, confira as principais datas do escândalo que sacode a política americana:

– 25 de julho: o telefonema –

Trump mantém uma conversa telefônica de 30 minutos com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, ator e comediante eleito em maio.

No começo de julho, Trump, sem qualquer explicação, suspende centenas de milhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia, que tinha sido aprovada pelo Congresso. A ajuda acabou sendo liberada pela Casa Branca em 11 de setembro.

– 12 de agosto: o informante –

Um informante não identificado, integrante dos serviços de Inteligência dos Estados Unidos, apresenta denúncia interna sobre o telefonema Trump-Zelenski, descrevendo-a como um assunto de “urgente consideração”.

– 18 de setembro: artigo do Post –

O jornal The Washington Post publica um informe sobre a denúncia do informante, dizendo que implica uma “promessa” feita por Trump a um líder estrangeiro.

– 19 de setembro: “notícia falsa” –

Michael Atkinson, inspetor geral de Inteligência, depõe no Comitê de Inteligência da Câmara sobre a denúncia do informante, mas se nega a revelar o conteúdo, dizendo que o diretor interino de Inteligência nacional, Joseph Maguire, o proibiu fazê-lo.

Trump reage pela primeira vez, qualificando a história do Post de “fake news” (notícia falsa) e afirmando que quando fala com líderes estrangeiros, é muito consciente de que provavelmente tem “muita gente” escutando.

– 22 de setembro: a confirmação –

Trump confirma que, durante o telefonema com Zelenski, conversou sobre Joe Biden, seu potencial adversário democrata nas eleições presidenciais de 2020, e o filho de Biden, Hunter. Hunter Biden foi membro da diretoria de uma companhia de gás ucraniana, enquanto seu pai era vice-presidente do governo de Barack Obama, mas não foi acusado oficialmente de nenhum delito.

– 24 de setembro: o início do processo –

Em meio a uma enxurrada de informações na imprensa de que Trump teria pressionado Zelenski para investigar os Biden, Nancy Pelosi, presidente democrata da Câmara de Representantes, anuncia a abertura de uma investigação de julgamento político do presidente por abuso de poder.

“O presidente deve prestar contas”, diz Pelosi. “Ninguém está acima da lei”.

Trump chama a manobra de “ASSÉDIO PRESIDENCIAL”.

– 25 de setembro: a transcrição –

A Casa Branca publica uma transcrição aproximada do telefonema entre Trump e Zelenski. O texto confirma que o presidente pediu reiteradamente ao líder ucraniano que investigasse os Biden e que “olhasse o tema” com Rudy Giuliani, o advogado pessoal de Trump, e com o procurador-geral Bill Barr.

– 26 de setembro: a publicação da denúncia –

O Comitê de Inteligência da Câmara publica a denúncia do informante, que acusa Trump de “usar o poder de seu cargo para solicitar a interferência de um país estrangeiro nas eleições americanas de 2020”.

Também acusa os advogados da Casa Branca de tentar “bloquear” o acesso à transcrição do telefonema devido à natureza politicamente sensível do tema.

Pelosi e vários candidatos presidenciais democratas de 2020 acusam a Casa Branca de “acobertamento”.

– 27 de setembro: a intimação de Pompeo –

Os comitês da Câmara de Representantes determinam que o secretário de Estado, Mike Pompeo, entregue documentos relacionados com a Ucrânia.

Kurt Volker, representante especial dos Estados Unidos na Ucrânia, renuncia depois que o Congresso ordena que apresente uma declaração como parte da investigação de julgamento político.

– 30 de setembro: o pedido a Giuliani –

Os líderes democratas da Câmara de Representantes ordenam que o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, entregue os documentos relacionados à Ucrânia até 15 de outubro.

– 1º de outubro: as réplicas –

Pompeo rejeita as convocações da Câmara, acusando os democratas de tentar intimidar os diplomatas americanos para que deponham contra a Casa Branca.

Trump intensifica seus ataques pessoais contra Adam Schiff, presidente do Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes que chefia a investigação de julgamento político, dizendo que deveria se preso por “traição”.

– 3 de outubro: SMS comprometedores –

Trump pede abertamente à China e à Ucrânia que investiguem os Biden e qualifica seus adversários democratas de maníacos que reviram o “lixo de julgamento político”.

Volker depõe a portas fechadas no Congresso.

Os democratas publicam mensagens de texto que mostram que a diplomacia americana pediu ao presidente ucraniano que investigue Joe Biden e seu filho em troca de uma reunião com Trump na Casa Branca.