ROMA, 3 FEV (ANSA) – Mais do que bandeiras e hinos, são rostos e histórias que definem as Olimpíadas, e não será diferente com os Jogos de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, que reunirão desde lendas consagradas em seu provável adeus olímpico até jovens fenômenos prontos para herdar o trono.
No centro das atenções está o sorriso radiante de Lindsey Vonn, dona de três medalhas olímpicas (uma de ouro e duas de bronze) no downhill e no super-g do esqui alpino. Aos 41 anos, a esquiadora americana é a superestrela midiática dos Jogos, em meio a uma temporada milagrosa na qual voltou a vencer uma descida livre seis anos após sua aposentadoria.
No entanto uma lesão no joelho abalou sua preparação, fruto de uma queda em Crans-Montana na semana passada, embora seu técnico tenha expressado um “cauteloso otimismo” sobre aquela que deve ser a despedida definitiva de Vonn das Olimpíadas.
Outro capítulo de redenção pode ser escrito por sua compatriota Mikaela Shiffrin. Tida por muitos como a maior esquiadora da história, com dois ouros e uma prata olímpicos no esqui alpino, ela chega a Cortina d’Ampezzo para exorcizar os fantasmas de Pequim 2022, onde quedas a tiraram da briga por medalhas. Dominadora absoluta nesta temporada, Shiffrin parece determinada a não deixar escapar a chance de brilhar novamente nos Jogos de Inverno.
Entre os homens, o destaque do esqui alpino é Marco Odermatt, que chega aos Jogos após quebrar recordes históricos, com cinco vitórias consecutivas no slalom gigante de Adelboden e quatro na descida livre de Wengen – feitos inéditos nos dois templos da modalidade e que mostram um talento polivalente jamais visto.
Ele lidera a classificação geral da Copa do Mundo de Esqui Alpino em 2025/26, com quase o dobro dos pontos do segundo colocado, o norueguês naturalizado brasileiro Lucas Pinheiro Braathen, maior esperança de uma inédita medalha para o país sul-americano nas Olimpíadas de Inverno, sobretudo no slalom e no slalom gigante.
Milão-Cortina também marca o retorno dos astros da NHL, a liga americana de hóquei no gelo, após 12 anos de ausência, e a Arena Santa Giulia, na capital da Lombardia, se prepara para um possível clássico da América do Norte na final.
O Canadá traz o veterano Sidney Crosby, bicampeão olímpico, e a estrela máxima da liga atualmente, Connor McDavid. Os Estados Unidos, que não vencem o ouro olímpico no masculino desde 1980, apostam em um esquadrão liderado por Auston Matthews e Jack Eichel.
Em outras modalidades, nomes já conhecidos buscam ampliar seus legados. No esqui cross-country, o norueguês Johannes Hosflot Klaebo, com cinco ouros, uma prata e um bronze em Olimpíadas, mira igualar os oito títulos da lenda Marit Bjorgen, também da Noruega e que ainda ostenta outras quatro medalhas de prata e três de bronze, totalizando 15 pódios.
No snowboard, a americana Chloe Kim, de 25 anos, vai atrás do tricampeonato no halfpipe, mas garante que, após uma pausa para cuidar da saúde mental, agora compete “apenas para se divertir”.
Na patinação artística, todos aguardam os saltos do “Deus dos Quádruplos”, o americano Ilia Malinin, de 21 anos, primeiro e único na história a realizar um Axel quádruplo ? salto de maior dificuldade técnica na categoria ? e atual bicampeão mundial.
O esqui estilo livre terá as acrobacias de Eileen Gu, nascida nos EUA, mas que compete pela China desde 2019. Campeã do big air e do halfpipe em Pequim 2022, ela é a grande atração da modalidade. (ANSA).