Por Manuel Ausloos e Antony Paone
PARIS (Reuters) – Confrontos eclodiram pelo segundo dia em Paris neste sábado entre a polícia e curdos curda revoltados com o assassinato de três membros de sua comunidade na sexta-feira.
Carros foram virados, pelo menos um veículo foi queimado e pequenos incêndios foram iniciados perto da Praça da República, um tradicional espaço de manifestações na cidade onde os curdos realizaram mais cedo um protesto pacífico.
Os confrontos começaram quando alguns manifestantes deixaram a praça, lançando projéteis contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo. Os conflitos continuaram por cerca de duas horas antes que os manifestantes se dispersassem.
Um homem armado matou os curdos em um centro cultural e em um café próximo na sexta-feira, atordoando uma comunidade que se prepara para o 10º aniversário do assassinato não resolvido de três ativistas.
A polícia prendeu um homem de 69 anos que, segundo as autoridades, havia sido recentemente libertado da prisão enquanto aguardava julgamento por um ataque com faca em um acampamento de migrantes em Paris há um ano.
Após o interrogatório do suspeito, os investigadores acrescentaram uma suspeita de motivação racista às acusações iniciais de assassinato e violência com armas, informou a promotoria neste sábado.
Depois que uma multidão enfurecida entrou em confronto com a polícia na tarde de sexta-feira, o conselho democrático curdo na França (CDK-F) organizou uma reunião neste sábado na Praça da República.
“Não estamos sendo protegidos. Em 10 anos, seis ativistas curdos foram mortos no coração de Paris em plena luz do dia”, disse Berivan Firat, porta-voz do CDK-F, à BFM TV durante a manifestação.
Os assassinatos de sexta-feira ocorreram antes do aniversário da morte de três mulheres curdas em Paris, em janeiro de 2013.
“A comunidade curda está com medo. Ela já estava traumatizada pelo triplo assassinato (em 2013). A comunidade precisa de respostas, apoio e consideração”, disse David Andic, advogado que representa o CDK-F, a repórteres na sexta-feira.
Representantes curdos, que se reuniram com o chefe da polícia de Paris neste sábado, reiteraram pedido para que o tiroteio de sexta-feira seja considerado um ataque terrorista. O interrogatório do suspeito continua, acrescentou a promotoria.