O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou, nesta quinta-feira (5), que seu país está disposto a dialogar com os Estados Unidos sobre qualquer assunto, mas “sem pressão”, em um momento em que Washington intensifica as ameaças contra a ilha.
“Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos, um diálogo sobre qualquer tema que precise ser discutido”, mas “sem pressão” ou “pré-condições”, disse Díaz-Canel em um pronunciamento televisionado.
Esse diálogo deve ocorrer “a partir de uma posição de igualdade, com respeito à nossa soberania, nossa independência, nossa autodeterminação” e sem “interferência em nossos assuntos internos”, acrescentou.
Desde o ataque de 3 de janeiro na Venezuela, no qual foi deposto o presidente Nicolás Maduro, principal aliado de Cuba, e Washington assumiu o controle do setor petroleiro venezuelano, Donald Trump tem multiplicado as ameaças contra a ilha.
Além de cortar o fornecimento de petróleo venezuelano e o dinheiro de Caracas para a ilha, Trump assinou, nesta quinta-feira, um decreto que contempla a imposição de tarifas aduaneiras para os países que venderem petróleo para Havana, sob o argumento de que a ilha representa uma “ameaça excepcional” para seu país.
Na segunda-feira, o magnata republicano assegurou que o México, que fornece petróleo a Cuba desde 2023, deixaria de fazê-lo.
Díaz-Canel destacou que as medidas anunciadas pelo “governo imperial”, que pretende asfixiar a economia da ilha, levaram o país a “enfrentar um desabastecimento agudo de combustível”.
Trump também instou Havana a “alcançar um acordo” ou enfrentar consequências que não especificou, e insiste em que iniciou diálogos com altas autoridades cubanas e que considera que vão resultar em um acordo.
“Não existe um diálogo especificamente neste momento, mas tem havido trocas de mensagens”, disse na segunda-feira à AFP o vice-chanceler cubano, Carlos Fernández de Cossío.
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