A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), controlada pelo empresário Benjamin Steinbruch, está próxima de definir um comprador preferencial para sua divisão de cimentos, em uma operação avaliada em até R$ 15 bilhões. A expectativa é que a empresa escolha, nos próximos dias, um grupo para negociar a aquisição com exclusividade.
A possível venda da CSN Cimentos faz parte de um programa de desinvestimentos destinado a fortalecer o caixa e reduzir o endividamento do conglomerado. No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou dívida líquida ajustada de R$ 42,1 bilhões.
Entre os principais interessados estão a chinesa Huaxin Cement e um consórcio que reúne a brasileira Votorantim Cimentos e a italiana Cementir. A definição de um comprador exclusivo representaria um avanço importante nas negociações, embora não signifique que a operação esteja concluída.
CSN se aproxima de decisão sobre comprador
O processo de venda é acompanhado diretamente por Benjamin Steinbruch e conduzido pelo presidente-executivo da CSN, Fabio Schvartsman, que assumiu o comando da companhia em 2026.
Schvartsman tem experiência na direção de grandes grupos empresariais, incluindo Vale, Klabin e Ultrapar. Na CSN, uma de suas principais atribuições é acelerar a reorganização financeira do conglomerado e conduzir negociações para a alienação de ativos.
O banco de investimentos Morgan Stanley atua como assessor financeiro da operação.
A expectativa é que a CSN conceda exclusividade a um dos interessados, permitindo o aprofundamento das negociações sobre preço, condições de pagamento e demais aspectos contratuais.
Essa etapa costuma anteceder a assinatura de um acordo definitivo, mas ainda pode envolver análises financeiras, jurídicas e regulatórias.
Votorantim e chinesa Huaxin disputam o negócio
A disputa pela CSN Cimentos envolve empresas com estratégias distintas de expansão no mercado brasileiro.
A Votorantim Cimentos, que já ocupa a liderança nacional no setor, participa das negociações em conjunto com outros investidores. A formação de um consórcio é considerada uma alternativa para viabilizar a aquisição de uma concorrente de grande porte.
Uma eventual compra pela Votorantim, entretanto, exigiria atenção especial das autoridades concorrenciais, já que a CSN Cimentos ocupa uma posição relevante no mercado brasileiro.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá avaliar os possíveis efeitos da operação sobre a concorrência, caso um acordo seja concretizado.
A chinesa Huaxin, por sua vez, busca ampliar sua presença no setor de materiais de construção no Brasil.
A empresa já demonstrou interesse em outros ativos nacionais, incluindo a InterCement, que enfrenta um processo de recuperação judicial.
Por possuir participação mais limitada no mercado brasileiro de cimento, a Huaxin pode enfrentar menos obstáculos relacionados à concentração econômica do que concorrentes que já possuem operações expressivas no país.
Isso, contudo, não garante vantagem definitiva na disputa, que também depende do valor oferecido e das condições negociadas.
Venda pode ajudar a reduzir dívida bilionária
A alienação da CSN Cimentos é considerada uma das principais iniciativas da companhia para diminuir sua alavancagem financeira.
Com dívida líquida ajustada de R$ 42,1 bilhões ao final do segundo trimestre, o grupo vem buscando alternativas para reforçar a liquidez e reorganizar seu portfólio de negócios.
A venda da divisão de cimentos poderia representar uma entrada expressiva de recursos, permitindo à empresa direcionar parte do dinheiro à redução de obrigações financeiras.
O valor de até R$ 15 bilhões, porém, corresponde à avaliação discutida no mercado e não a um preço final confirmado.
A quantia efetivamente recebida pela CSN dependerá das condições da operação, incluindo eventuais ajustes relacionados à dívida da subsidiária e à estrutura de pagamento.
A companhia também avalia a venda de participações em outros segmentos, como infraestrutura e logística, como parte de uma estratégia mais ampla de redução do endividamento.
Grupo também negocia ativos no exterior
Além das conversas envolvendo a CSN Cimentos, o conglomerado avançou recentemente em tratativas para vender uma operação siderúrgica na Alemanha, em negócio estimado em aproximadamente R$ 3 bilhões.
A movimentação reforça a estratégia de concentrar recursos em atividades consideradas prioritárias e diminuir a exposição financeira do grupo.
O programa de desinvestimentos também contempla ativos ligados à infraestrutura, segmento no qual a CSN mantém participação em operações de transporte e logística.
A combinação dessas vendas pode contribuir para melhorar os indicadores financeiros da companhia, embora o resultado dependa da conclusão dos acordos e da entrada efetiva dos recursos.
Negociação ainda depende de acordo definitivo
Apesar do avanço das tratativas, a venda da CSN Cimentos ainda não foi anunciada como concluída.
A escolha de um comprador para negociar com exclusividade seria apenas mais uma etapa do processo, que poderá exigir aprovações societárias e análise dos órgãos reguladores.
A CSN, a Huaxin e a Votorantim não haviam apresentado manifestações públicas detalhadas sobre as negociações até a divulgação das informações.
O mercado acompanha os próximos passos da operação, considerada relevante tanto para a situação financeira da CSN quanto para a configuração do setor de cimento no Brasil.
Da IstoÉ