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Cruzeiro se defende de acusações de irregularidades: ‘Clube jamais vai falir’

Crédito: Alisson Guimarães/Divulgação/Cruzeiro

Wagner Pires de Sá (à esq.) e Itair Machado (à dir.) se manifestaram sobre problemas econômicos do Cruzeiro (Crédito: Alisson Guimarães/Divulgação/Cruzeiro)

A segunda-feira foi muito conturbada na Toca da Raposa II, em Belo Horizonte. Os jogadores ganharam folga depois da derrota para a Chapecoense, no dia anterior, no estádio Independência, que derrubou o time para as últimas colocações do Campeonato Brasileiro, mas os dirigentes enfrentaram um clima tenso para se defenderem de denúncias de irregularidades na atual administração veiculadas na noite de domingo no programa Fantástico, da Rede Globo.

O presidente Wagner Pires de Sá e o vice-presidente de futebol, Itair Machado, falaram com a imprensa por cerca de uma hora e explicaram a maior denúncia feita pela reportagem da Globo, que foi a venda no ano passado de parte dos direitos econômicos de Estevão William, já chamado de “Messinho”, então com 11 anos, para pagar uma dívida com o empresário Cristiano Richard. A Lei Pelé e o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbem menores de 12 anos de possuir contratos empregatícios.

De acordo com o clube, o Cruzeiro não vendeu, apenas deu como garantia. “É proibido vender. Mas o Cruzeiro deu apenas como garantia os 20% dos direitos econômicos do jogador. Crime é a ação. E a ação (de vender) não foi feita. Renegociamos a dívida, que hoje está em R$ 1,4 milhão, para oito parcelas de R$ 195 mil”, explicou Itair Machado, que estava ao lado do advogado Edson Travassos.

Na entrevista coletiva, ficou acertado que tanto o presidente quanto Itair Machado fariam apenas um pronunciamento, antes das perguntas dos jornalistas, mas o vice-presidente chegou até a bater boca com um repórter que afirmou ser ilegal colocar como garantia a cessão de direitos econômicos de um jogador que não pode ter contrato com o clube.

O dirigente disse que o clube está “sendo perseguido” por “bater de frente com os queridinhos da mídia nacional”. “Aqui no Cruzeiro não tem desonesto. Estamos sendo perseguidos (…) O processo da Polícia Civil já existia e não chama processo, chama procedimento, dura meses, começou por denúncia anônima. Foi fogo amigo, concluído e arquivado. Agora, com essas matérias, o procedimento foi reaberto. Mas o Cruzeiro confia na Polícia Civil. O Cruzeiro está tranquilo quanto a isso”, disse Itair, que minimizou a dívida do clube, atualmente em R$ 520 milhões. “Teve um conselheiro que falou que o Cruzeiro está falido. O Cruzeiro jamais vai falir. Essa camisa não tem preço”.

Outra denúncia foi sobre os vínculos empregatícios de conselheiros do clube com o próprio Cruzeiro. Wagner Pires de Sá alegou que não há irregularidade. “Viemos falar que todos os clubes brasileiros, há mais de 50 anos, o Cruzeiro adota e pratica a contratação de conselheiros. Seria uma hipocrisia de nossa parte não contratar conselheiros por serem conselheiros. Normalmente, esses conselheiros que trabalham para o Cruzeiro perdem o direito de votação. Não há nenhuma proibição que conselheiro trabalhe para o

clube. E conversando com o presidente do conselho, a partir de agora, todo conselheiro que prestar serviço ao clube ele pedirá licença do cargo. E achei isso necessário a partir de agora e ele vai aprovar”, concluiu.