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Cruzeiro arruma casa, avança na Copa do Brasil e pode liderar Série B pela 1ª vez

Colocar a instituição em primeiro lugar, entender como funciona a Série B e montar um time competitivo para buscar o acesso. Por fim, não ficar deitado nas glórias do passado e poder se dar ao luxo de ter um ídolo como Ronaldo Nazário sempre na retaguarda. É nessa atmosfera que o Cruzeiro vem se preparando para colocar um fim à sua participação na segunda divisão do Nacional e voltar à prateleira de clube vencedor em 2023 entre os grandes que figuram na elite. Ele pode assumir a ponta da Série B no domingo, contra o Náutico, dias depois de eliminar o Remo nos pênaltis e chegar às oitavas de final da Copa do Brasil.

O Cruzeiro atual dá nítidos sinais de transformação. Se nos últimos dois anos, o clube celeste figurou como mero coadjuvante, a recente vitória de 1 a 0 sobre o Grêmio amplia os horizontes de torcida, jogadores e comissão técnica neste início de caminhada. Prova disso é sua performance: mesma pontuação do líder Bahia (13 pontos) e o segundo posto na tabela por ter menor saldo de gols (7 a 3).


As quatro vitórias nas últimas cinco rodadas e a possibilidade de liderança isolada do Brasileiro já neste domingo, diante do Náutico, no Recife, colocam em cena um Cruzeiro que vem trabalhando em várias frentes. O objetivo desse projeto é transformar esse bom início de campanha em desempenho duradouro até o término da competição.

Em entrevista ao Estadão, o diretor de futebol Pedro Martins disse que o formato de administração do clube hoje trabalha com uma visão ampla. Tão importante quanto o futebol, segundo o dirigente, é fortalecer as áreas que dão suporte ao rendimento. Entre os setores destacados por ele estão os departamentos de performance e saúde, análise de desempenho e também análise de mercado.

“Colocamos a instituição acima de todos. Atletas, comissão técnica e colaboradores estão cientes de que estamos de passagem e o desafio é construir um Cruzeiro competitivo e sustentável ao longo dos anos.”

Os pilares para justificar o discurso foram enfatizados pelo dirigente. “Formação de jovens talentos, projeto através do fortalecimento do futebol feminino e um estafe que vá levar o clube a todos os desafios nos próximos anos”, completa.

Em meio à pior fase da sua história centenária, com uma dívida acumulada próxima de R$ 1 bilhão, o Cruzeiro busca caminhos que o recoloquem no trilho das vitórias e conquistas. Muito dessa reviravolta para recuperar um dos clubes mais tradicionais do Brasil está em Ronaldo Nazário, que agora é o principal acionista da equipe de Belo Horizonte e adquiriu 90% da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do clube de Minas Gerais.

CONTAS EM DIA E SANGUE NOS OLHOS

Martins comenta que a reestruturação do clube é complexa, mas levando em conta o departamento de futebol, evitar atrasos nos pagamentos foi o grande passo para ajustar o setor e formar um grupo forte. “Pagar os salários em dia. Escolher uma comissão técnica alinhada com os objetivos e o futuro do projeto do clube faz a diferença. A opção pelo Paulo Pezzolano (técnico uruguaio) foi fruto de um processo. Trouxemos um nome com um perfil de liderança junto aos atletas.”

Outro traço importante dessa nova gestão é se adequar à realidade do momento atual. Entender o perfil da competição e encarnar o espírito que o torneio pede. Os anos de 2020 e 2021 serviram como aprendizado. Nas duas campanhas da Série B, o clube sequer passou da décima colocação.

“Desde o início do trabalho, entendemos que, para ter sucesso na Série B, precisamos respeitar a competição. Não é o tamanho da camisa que vai fazer com que a gente suba de divisão, mas sim a qualidade de nossas rotinas. Temos que trabalhar muito para superar todos os desafios de um campeonato que vai até o final do ano.”

ELENCO CASCUDO

No clube desde fevereiro de 2021 e com 52 jogos pelo Cruzeiro, o zagueiro Eduardo Brock, 31 anos, disputa a segunda Série B pela equipe celeste. Em conversa com a reportagem do Estadão, ele disse que o espírito de união tem sido fundamental para a boa campanha até aqui. E a prioridade de todos é levar novamente o time mineiro à elite do futebol nacional.

“Todos aqui tem a sua parcela de liderança, isso puxa o companheiro do lado. Sabemos que precisamos treinar, trabalhar e evoluir sempre para tirar o Cruzeiro da Série B. O relacionamento com o técnico Paulo Pezzolano é muito bom. Ninguém é mais do que ninguém. Essa união ajuda na hora de buscar resultados positivos”, comentou o zagueiro.

Outro veterano do elenco, e com um cartel de 81 partidas pela equipe mineira, o lateral Rômulo destaca que o processo de treinamentos deva ser seguido à risca. “Alimentar-se bem, repouso entre um jogo e outro e, quando tivermos semanas cheias para trabalhar, treinar forte para manter a intensidade dentro de campo. Essa característica tem sido nosso diferencial. A Série B é muito difícil e a logística da competição aumenta o desgaste. Somos um time jovem e todos têm muito a aprender com isso”, disse o jogador de 34 anos.

FATOR FENÔMENO

Não é todo clube que tem em seu comando um dirigente que foi referência como jogador dentro de campo. O Cruzeiro de 2022 conta com Ronaldo Nazário como seu principal acionista e pode se dar ao luxo de ter um ídolo nacional sempre por perto. E o reflexo de um profissional vencedor dando suporte na parte administrativa traz dividendos ao elenco, principalmente na parte psicológica.

“O Ronaldo é uma figura muito importante para o Cruzeiro. Além de ser o nosso chefe, é uma pessoa vencedora e que colocou dentro do clube excelentes profissionais. É um cara centrado, extremamente profissional e está fazendo de tudo para que o Cruzeiro volta à elite”, afirmou Rômulo.

Eduardo Brock prefere destacar o respaldo que o Fenômeno trouxe para o elenco em termos de retaguarda. “Desde a chegada do grupo do Ronaldo, o ambiente no Cruzeiro mudou por completo. Tanto dentro como fora de campo. Jogamos com a certeza de que nossos direitos serão cumpridos. Isso nos dá toda a tranquilidade para buscarmos os melhores resultados dentro de campo.”