ROMA, 15 JAN (ANSA) – O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, defendeu nesta quinta-feira (15) que o governo de Giorgia Meloni continue a financiar a Ucrânia contra a Rússia, às vésperas do quarto ano da guerra, em fevereiro.
“Apoiar Kiev não significa querer prolongar o conflito, mas sim impedir que o fim das hostilidades se transforme em uma paz aparente e frágil, construída sobre a injustiça e destinada a ruir novamente”, rebateu Crosetto na Câmara dos Deputados, onde a oposição e a Liga, partido de extrema-direita do vice-premiê e ministro de Infraestruturas e Transportes, Matteo Salvini, criticam a medida.
“Interromper o apoio e a ajuda à Ucrânia hoje seria desistir da paz antes mesmo de ela ser construída”, reforçou o ministro da Defesa, recebendo aplausos de filiados do Irmãos da Itália, partido de Meloni, e do Força Itália, ambos de direita, sendo o primeiro de linha extremista e o segundo, de centro.
Para Crosetto, o país governado por Volodymyr Zelensky “precisa de uma capacidade de defesa adequada não para atacar ou vencer a guerra, mas para proteger o próprio território e a população”.
“A retirada de apoio internacional não levaria à paz, pelo contrário: favoreceria uma escalada ainda maior da agressão” russa, continuou ele a justificar seu ponto de vista.
Em seu discurso aos parlamentares, Crosetto também destacou que a ajuda fornecida pela Itália à Ucrânia, até então, foi “de impedir aqueles que querem destruir e subjugar a população ucraniana”.
“Alguns de vocês se envergonham disso [do apoio], mas eu me sinto orgulhoso”, frisou Crosetto, acrescentando que “se pudesse dar mais armas a Kiev para sua defesa” que o “faria”.
Em apoio ao ministro da Defesa, o deputado Marco Padovani, do Irmãos da Itália, reforçou que “toda a ajuda italiana à Ucrânia até o momento foi destinada a ajudar civis inocentes”.
Entretanto, ele fez uma ressalva: “A Itália continuará com ajuda civil e militar, mas a civil será mais consistente” a partir de agora.
Entre os críticos do apoio italiano a Zelensky, está o partido de antissistema Movimento 5 Estrelas, que também fez um pronunciamento sobre o tema.
“Vocês apostaram na vitória militar da Ucrânia; apostaram o dinheiro dos italianos e vidas ucranianas. A presidente [do Conselho de Ministros] Meloni deveria renunciar por incompetência manifesta”, declarou o deputado do M5S Marco Pellegrini.
No próximo 24 de fevereiro, a guerra no leste europeu completará quatro anos da invasão russa no país vizinho, sem que ainda haja avanços concretos em um acordo de paz. (ANSA).