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Crivella vence no Rio; abstenções, brancos e nulos superam votos do vencedor

O candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro Marcelo Crivella, no dia 7 de outubro de 2016 - AFP

Bispo licenciado da Igreja Universal, o senador Marcelo Crivella (PRB) venceu a disputa para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Com 100% das urnas apuradas, Crivella atingiu 59,36% dos votos válidos e Freixo (PSOL), 40,64%. As abstenções, brancos e nulos superam o total de votos recebidos pelo primeiro colocado  (2.033.838)

“Gostaria de agradecer a todos e agradecer a Deus. Agradeço à minha família querida e aos meus companheiros. Ninguém vence sozinho, a gente é apenas aquele que se elege, o representante. É um momento de enorme emoção, principalmente para mim”, afirmou Crivella, que citou políticos como a deputada federal Clarissa Garotinho, o senador Romário e o deputado estadual Wagner Montes. “Quero parabenizar meu adversário Freixo pela sua luta, agradecer a ligação que recebi do (prefeito) Eduardo (Paes), a conversa com o governador (Luiz Fernando Pezão). Quero agradecer a toda Igreja Católica que nos apoiou”, continuou o prefeito eleito, que estava acompanhado pelo vice-prefeito eleito, Fernando Mac Dowell (PR).

“Temos quatro anos para construir o Rio de Janeiro de nossos sonhos”, afirmou ainda Crivella. “Vamos concentrar todas as nossas energias para realizar o projeto que propomos ao povo, que é cuidar das pessoas.”

Esta é a terceira vez Crivella disputa a prefeitura carioca. Engenheiro civil, com pós-graduação na Universidade de Pretoria, em Joanesburgo, África do Sul, também concorreu ao governo estadual em 2006 e 2014. Começou a trabalhar aos 14 anos como auxiliar de escritório e foi taxista. Ficou oito anos no Exército, foi professor universitário e servidor público.

Com 59 anos, Crivella nasceu na capital fluminense e é filho único de pais católicos. Em 2002, foi eleito para o Senado com mais de 3 milhões de votos. Foi reeleito para o período 2011 a 2019. No governo de Dilma Rousseff, foi ministro da Pesca e Aquicultura. O político publicou contos de cunho religioso e um livro sobre projeto que torna produtivas terras abandonadas pelo governo federal, na cidade de Irecê (BA).

Casado com Sylvia Jane há 36 anos, é pai de três filhos e tem dois netos. Crivella chegou a ser considerado um dos principais intérpretes do gênero gospel no Brasil, com cerca de 16 álbuns musicais gravados.

Marcelo Freixo

Em discurso na Cinelândia, no centro do Rio, para centenas de eleitores, o candidato do PSOL à prefeitura da cidade, Marcelo Freixo, admitiu a derrota para Marcelo Crivella (PRB), e disse que, ainda que tenha perdido nas urnas, venceu a eleição.

“Hoje é dia de celebração, porque a gente fez a campanha mais bonita desse País. Nossa vida não é movida à pauta das urnas. A gente chega com uma extrema vitória. Tivemos 11 segundos na televisão no primeiro turno e conseguimos derrotar o PMDB. Chegamos ao segundo turno e enfrentamos o que há de mais obscuro na política, que usou métodos que a gente não imaginava possível. Os próximos quatro anos não serão fáceis, mas terá oposição, porque tem projeto, tem luta”, disse Freixo.

Ele citou o peso do contexto nacional na eleição carioca. “A esquerda perdeu no Brasil inteiro. Mas nosso sonho não cabe na urna. A gente enfrentou um momento muito difícil, de derrota do projeto de esquerda, e a gente conseguiu criar uma resistência no Rio. Renascer um projeto de esquerda no Rio não é pouca coisa. Devolvemos alegria e emoção às eleições do Rio. É importante dizer que nada termina aqui. É só o começo. Aqui vai ter defesa daquilo que a cidade precisa, porque na Câmara tem os vereadores do PSOL”.

Freixo agradeceu aos militantes do PSOL e do PCB. “Respeito muito o processo democrático, o voto nulo. Mas nosso programa não acaba hoje. A luta por essa cidade não é uma eleição que vai definir. Perdemos uma eleição, mas ganharmos sentido na política. Olhem essa praça, tem muito mais gente aqui do que com eles (Crivella). Essa campanha não teve ninguém pago. Não tem dinheiro que pague nossa utopia. Eu tenho um pedido a fazer a vocês: ‘que a gente continue debatendo. Não adianta me perguntar: E 2018? E 2020?’ Está muito longe, eu quero saber desse mês.”