A semana

Cristina sai das cinzas

Crédito: EITAN ABRAMOVICH

TERÇA-FEIRA 20 Cristina Kirchner em comício na Província de Buenos Aires: “se a Argentina precisar de mim, eu me apresentarei” (Crédito: EITAN ABRAMOVICH)

Mais teatral do que nunca, Cristina Kirchner voltou na semana passada ao cenário político da Argentina e desempenhou com maestria o demagógico papel de líder populista e salvadora da pátria – personagem, aliás, que ela incorporou desde o início de sua vida pública há cerca de três décadas.

Discursando para uma multidão na Província de Buenos Aires, Cristina mostrou que ainda tem fôlego eleitoral apesar dos escândalos nos quais se envolveu nos últimos anos. A maior prova disso é que ela abandonou o tradicional Partido Justicialista, legenda oficial do peronismo, e filiou-se à outra infinitamente menor mas de mesma coloração ideológica, a Unidade Cidadã.

Engana-se quem pensa que os peronistas de carteirinha sentiram-se aliviados com sua partida. Ao contrário, temem agora a sigla concorrente e viram que a ex-presidente está acima de qualquer partido. Em outubro acontecerão no país as eleições legislativas (determinantes para o pleito presidencial de 2019), e a pergunta que se faz é se Cristina concorrerá ao Senado. Como todo populista, ela deixa a resposta no ar (seu coração e mente sabem que sim), com vazias frases de efeito: “se a Argentina precisar de mim, eu me apresentarei”.

NAZISMO
Apreensão recorde

Natacha Pisarenko

A Argentina foi um dos principais refúgios de carrascos do nazismo, que lá passaram a viver clandestinamente após a II Guerra Mundial. Na semana passada a polícia de Buenos Aires localizou setenta e cinco objetos que simbolizam essa criminosa ideologia, na maior apreensão já feita no país. As peças seriam da época da guerra e algumas teriam pertencido a Adolf Hitler (na foto tem-se a imagem de uma águia com a suástica).

SAÚDE
Anvisa perde para os deputados

Com apoio da maioria dos endocrinologistas e contrariando determinação da Anvisa, a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que libera a venda de emagrecedores e inibidores de apetite (são à base de anfetamina). A anvisa vê neles sérios riscos à saúde. Para os médicos, é melhor tê-los disponíveis para os casos necessários, uma vez que serão vendidos sob prescrição e com receituário controlado.

ACIDENTE
Trágico destino na BR-101

JEFFERSON ROCIO/FUTURA PRESS

Seis e meia da manhã da quinta-feira 22, BR-101, rodovia que une o Rio de Janeiro ao Espírito Santo. Uma carreta, um ônibus e duas ambulâncias vão se cruzar, e quis o destino encerrar, aqui, a vida de vinte e uma pessoas – outras vinte e duas, sete em estado grave, estão hospitalizadas.

Esses números foram divulgados na noite da própria quinta-feira enquanto os peritos montavam o quebra cabeça do que acontecera: a carreta assustadoramente tombou, tombada foi arrastando-se, arrastando-se invadiu a outra pista, atingiu o ônibus e as duas ambulâncias (um dos pacientes sobreviveu).

O ônibus incendiou, passageiros correram para a mata da rodovia com o corpo em chamas, caíram e arderam até a morte. Outras vítimas foram arremessadas através da janela dos veículos. “Fatalidade”, disse o superintendente da Polícia Rodoviária Federal do Espírito Santo, Wilys Lyra. É fato que fatalidades ocorrem, mas, nesse caso, convém relativizar. O trecho é mal sinalizado e, nele, a visão faz-se obnubilada pela névoa e montes que cercam a cidade de Guarapari.

JUSTIÇA
Maluf é condenado na França

VANESSA CARVALHO

A Corte de Apelações de Paris equivale aos nossos tribunais de Justiça (segunda instância). Foi ela quem condenou o deputado federal Paulo Maluf a três anos de prisão por lavagem de dinheiro em território francês. Também foram condenados sua mulher, Sylvia, e o filho Flávio. Serão confiscados da família R$ 6,6 milhões. Como cabe recurso, a França não pedirá por enquanto a sua extradição ao governo brasileiro.

BRASIL
Planalto expõe agente da CIA

O jornal americano The New York Times, um dos principais órgãos de comunicação da Terra, esforçou-se a semana inteira para achar uma situação na qual a identidade de um agente da CIA tenha sido revelada pelo país no qual ele está credenciado – ou seja, não se trata de espião mas de alguém que opera legalmente e deve ter o seu nome preservado. O jornal nada encontrou pois tal fato nunca existiu.

O pioneirismo desse contrassenso fica sendo então do Brasil: o Gabinete de Segurança Institucional abriu publicamente a identidade de Duayne Norman, chefe do escritório da CIA no País. A mídia americana registrou: o Brasil é mesmo uma república bananeira.