Forças de segurança marroquinas impediram no sábado, 15 de agosto, que centenas de migrantes entrassem de forma irregular no exclave espanhol de Ceuta. Este número é consideravelmente inferior aos milhares de deslocados que tentaram acessar a cidade autônoma no final de julho.
Fontes de segurança em Rabat, citadas pela agência Efe, informaram que o grupo estava escondido em uma área montanhosa próxima ao município de Fnideq, situado a sudoeste de Ceuta. Agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar os migrantes, sem registrar nenhum ferido. A situação foi rapidamente controlada, de acordo com a reportagem.
Forças marroquinas bloqueiam a entrada de centenas de migrantes em Ceuta, utilizando gás lacrimogêneo.
- A ação, que não deixou feridos, é parte do esforço para conter a imigração irregular.
- Tentativa de ingresso em massa teve baixa adesão, diferentemente da onda migratória anterior.
Um alerta divulgado nas redes sociais previa uma nova tentativa de ingresso em massa de migrantes em Ceuta neste sábado, mas a mobilização teve adesão muito menor em comparação com o mês passado. A primeira onda de migração em massa ocorreu entre 30 e 31 de julho, quando cerca de 80 mil pessoas entraram ilegalmente no exclave. Autoridades espanholas avaliam que os grupos do Facebook usados para promover entradas em Ceuta perderam cerca de 290 mil membros, em relação ao 1 milhão de usuários que acompanharam a convocação inicial.
A crise migratória se intensifica?
Segundo estimativas das forças de segurança, aproximadamente 5 mil migrantes em situação irregular ainda permanecem em Ceuta, enquanto se registra uma média de 200 retornos voluntários ao Marrocos por dia. No entanto, a estimativa do prefeito-presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, aponta para um número maior, entre 8 mil e 12 mil pessoas que ainda permanecem de forma irregular na cidade.
Madri afirma que mais de 70 mil migrantes já foram repatriados para o Marrocos e que nenhum dos que participaram da entrada em massa no exclave conseguiu acessar o Espaço Schengen, área de livre circulação na Europa.
Tensões diplomáticas entre Espanha e Itália
A crise em Ceuta gerou uma tensão diplomática com a Itália. Temendo que deslocados internacionais que entraram em Ceuta chegassem ao território italiano — embora a cidade não faça parte do Acordo de Schengen — o governo de Giorgia Meloni impôs o controle de fronteiras temporário a viajantes vindos da Espanha. Em retaliação, a gestão de Pedro Sánchez fez o mesmo em 8 de agosto.