“Crise migratória em Ceuta: Sánchez critica postura da UE e Itália”

Sánchez critica UE e Itália pela crise migratória em Ceuta; ministro espanhol vê "ação imperdoável"

"Crise migratória em Ceuta: Sánchez critica postura da UE e Itália"

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, critica a decisão da Itália de suspender o Acordo de Schengen e a reação da União Europeia à crise migratória em Ceuta. Neste sábado (1º de agosto), Sánchez enviou uma carta ao Executivo da UE, classificando a postura de alguns membros como “assimétrica” e ditada por “desinformação, ignorância ou interesses políticos”. A medida italiana, que reinstaura controles de passaportes nas fronteiras aéreas e marítimas, foi tomada após a entrada de milhares de migrantes no exclave espanhol.

O que aconteceu

  • Crise migratória em Ceuta: O primeiro-ministro Pedro Sánchez critica a reação “assimétrica” da União Europeia e a decisão da Itália de suspender o Acordo de Schengen.
  • Suspensão de Schengen: A Itália reinstaurou o controle de passaportes nas fronteiras com a Espanha por um mês, após a entrada de cerca de 50 mil migrantes no exclave espanhol.
  • Medidas e Reações: Sánchez defendeu a Espanha, destacou o retorno de migrantes e pediu uma reunião urgente de ministros do Interior para uma resposta conjunta da UE.

O posicionamento de Sánchez chega um dia depois de a Itália ter anunciado a suspensão do Acordo de Schengen com a nação ibérica por um mês. Na prática, a suspensão significa a reintrodução do controle de passaportes nas fronteiras aéreas e marítimas entre os países, elevando a tensão entre Itália e Espanha em meio à crise migratória.

Em sua carta, Sánchez, de centro-esquerda, definiu a reação da União Europeia à crise como “assimétrica”. “A maior parte mostrou apoio e solidariedade, oferecendo assistência. Outros, no entanto, escolheram atacar a Espanha e pedir sua exclusão temporária da Área Schengen. Tal postura, ditada por preconceitos, desinformação, ignorância ou interesses políticos, não apenas é contrária ao direito europeu, ao direito humanitário e aos princípios de solidariedade que nos unem, mas também aos interesses de longo prazo da Europa e ao bom senso mais elementar”, declarou o premiê, sem citar a Itália nominalmente.

Espanha e a gestão da crise migratória

No documento, Pedro Sánchez lembrou que Ceuta, exclave espanhol no norte da África, não faz parte da Área Schengen, zona de livre circulação na Europa. Ele alegou que a Espanha tem “uma das fronteiras externas menos permeáveis” da União Europeia, com “metade do número de entradas irregulares em relação ao registrado na Itália nos últimos anos”.

Além disso, o primeiro-ministro espanhol pediu a convocação urgente de uma reunião extraordinária entre os ministros do Interior dos 27 Estados-membros, a fim de que o bloco defina uma resposta conjunta e “reafirme que a segurança das fronteiras externas é uma responsabilidade compartilhada por todos”.

Já o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, disse que a suspensão do Acordo de Schengen é “uma ação imperdoável”. “Alguns países demonstraram uma atitude absolutamente egoísta, pouco solidária e irresponsável”, acrescentou o chanceler durante coletiva de imprensa em Ceuta.

Qual o impacto da entrada de migrantes?

Na última quinta-feira (30 de julho), cerca de 50 mil migrantes entraram no exclave a nado, sendo que pelo menos 67 corpos foram recuperados do lado espanhol, e 17, do marroquino, totalizando 84 mortes confirmadas até o momento.

Segundo Sánchez, “praticamente todos os que entraram de forma irregular foram repatriados”, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegurou que “ninguém chegou à Espanha continental ou ao restante da UE”. O governo também garantiu que a situação em Ceuta já está “voltando à normalidade”, informação contestada pelo prefeito da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, que faz oposição ao premiê.

“Ainda restam diversas pessoas que precisam ser repatriadas. O estado de ânimo da população ainda está marcado pela inquietação e pela preocupação”, afirmou Vivas.

Para evitar novas situações do tipo, o governo espanhol iniciou a instalação de barreiras de contenção flutuantes ao longo da costa de Ceuta. Essa estrutura tem 500 metros de extensão, altura fora de água entre 30 e 70 centímetros e profundidade de até um metro.