A crise migratória em Ceuta se intensifica com a chegada de cerca de 60 mil migrantes ao enclave espanhol entre quinta-feira (30) e sexta-feira (31) de julho. Ao menos 34 pessoas morreram ao tentar atravessar o mar entre Marrocos e o território espanhol durante este período, gerando uma situação classificada como “insustentável” pelas autoridades locais.
O que aconteceu
- A crise migratória em Ceuta testemunhou a chegada de aproximadamente 60 mil pessoas em dois dias, equivalente a 70% da população local.
- Ao menos 34 migrantes perderam a vida em tentativas de travessia do mar entre Marrocos e o enclave espanhol.
- A Espanha, por meio do primeiro-ministro Pedro Sánchez, prometeu restaurar a normalidade e instalou barreiras flutuantes para conter novas chegadas.
A informação alarmante foi divulgada por Juan Jesús Vivas, prefeito-presidente de Ceuta, que destacou a urgência de uma resposta das autoridades espanholas. Vivas ressaltou que o volume de chegadas é comparável a 34 milhões de pessoas entrando na Espanha em 24 horas, evidenciando a pressão sobre os serviços locais e o sentimento de insegurança dos moradores.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou Ceuta e classificou as entradas em massa como “deploráveis”, caracterizando-as como uma violação da integridade territorial. Ele afirmou que a prioridade do governo é restabelecer a normalidade rapidamente, mantendo a cooperação com o Marrocos e reforçando os controles de fronteira.
Como medida imediata, o governo espanhol anunciou a instalação de barreiras flutuantes na área marítima próxima ao quebra-mar da fronteira. O objetivo é dificultar novas travessias por mar e agilizar os procedimentos de retorno dos migrantes.
Como as autoridades reagem à crise em Ceuta?
Fontes locais relataram que mais de 25 mil migrantes que chegaram a Ceuta nos últimos dias já foram repatriados para o Marrocos. As repatriações ocorrem em um ritmo acelerado de 150 pessoas por minuto, segundo os relatos.
A Guarda Civil informou que o número de corpos encontrados nas águas próximas a Ceuta chegou a 24 após novas buscas. Muitos dos migrantes tentaram alcançar o território espanhol nadando a partir da costa marroquina, enfrentando fortes riscos durante a travessia.
A crise provocou o colapso temporário da capacidade de acolhimento do enclave. Centenas de pessoas, incluindo muitos menores de idade, passaram a noite em parques, áreas públicas e estacionamentos enquanto as autoridades buscavam alternativas de atendimento humanitário.
O governo espanhol afirmou que aplicará os acordos migratórios firmados com o Marrocos para realizar repatriações, garantindo o respeito aos direitos fundamentais e procedimentos diferenciados para adultos e menores. Segundo autoridades espanholas, milhares de menores estão entre os recém-chegados.
Qual o impacto europeu da crise migratória?
A crise em Ceuta gerou manifestações de autoridades europeias. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que o Marrocos deve “readmitir imediatamente” migrantes irregulares e defendeu o reforço das fronteiras externas da União Europeia.
A comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, declarou que uma cooperação mais forte entre a União Europeia e Rabat é essencial para combater redes de tráfico de pessoas.
Já a França anunciou o reforço dos controles na fronteira com a Espanha, enquanto a Itália avaliou medidas relacionadas ao espaço de livre circulação europeu. O ex-alto representante da União Europeia para Relações Exteriores, Josep Borrell, afirmou que um país-membro não pode suspender unilateralmente a participação de outro no Acordo de Schengen.
Em meio à crise migratória, as autoridades marroquinas ampliaram a presença policial na região de Fnideq, cidade próxima a Ceuta, utilizando barreiras e operações de controle para conter novas tentativas de travessia.
Também houve confrontos nas áreas próximas às fronteiras de Ceuta e Melilla. Organizações de direitos humanos relataram episódios de violência envolvendo grupos de migrantes e forças de segurança marroquinas.
A passagem fronteiriça de Beni-Enzar, entre Marrocos e Melilla, permaneceu fechada após tentativas de entrada em massa. Autoridades locais afirmaram que a situação em Melilla foi menor em escala do que a registrada em Ceuta.
Diante da crise, Ceuta suspendeu as celebrações de sua padroeira, previstas para agosto. Vivas afirmou que a decisão foi tomada devido ao clima de “incerteza, instabilidade e preocupação”. A Igreja local anunciou apoio às ações humanitárias, com mobilização de recursos e voluntários para atender os migrantes.
Enquanto isso, o governo espanhol atribui parte da crise à atuação de redes de tráfico de pessoas, que teriam incentivado as travessias após interpretações sobre decisões judiciais envolvendo repatriações.