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Crise alimentar abastece temores de que protecionismo possa agravar escassez

Crise alimentar abastece temores de que protecionismo possa agravar escassez

Funcionário carrega saco de farinha de trigo em centro de distribuição de alimentos em Sanaa, no Iêmen

Por Jessica DiNapoli e Dan Burns

DAVOS, Suíça (Reuters) – Uma crise crescente de alimentos está precipitando medidas protecionistas por países que podem provavelmente agravar o problema e levar a uma guerra comercial mais ampla, afirmaram líderes empresariais e formuladores de políticas no Fórum Econômico Mundial. 


Em um sinal do aperto cada vez maior sobre a oferta de alimentos e as altas de preços, uma fonte ligada ao governo da Índia afirmou à Reuters que o país pode restringir exportações de açúcar pela primeira vez em seis anos para evitar uma alta nos preços domésticos do produto. 

Enquanto isso, a Indonésia, maior exportadora mundial de óleo de palma, irá remover um subsídio ao óleo de cozinha a granel para substituí-lo com uma limitação de preço sobre materiais brutos para refinarias locais. 

“É uma questão muito importante, e francamente eu acredito que o problema seja ainda maior à nossa frente do que já foi no passado”, disse Gita Gopinath, vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) à Reuters sobre as preocupações crescentes com a segurança alimentar. 

O protecionismo está em alta em Davos, levando a pedidos por negociações urgentes para evitar uma guerra comercial em proporção total. 

“É muito importante que os líderes do planeta possam se sentar na mesa com calma e conversar sobre como iremos administrar comércio, alimentos e investimentos”, afirmou Jay Collins, vice-presidente de bancos, mercados de capitais e consultoria no Citigroup ao Fórum Reuters Global Markets em Davos. 

“Há muitas conversas acontecendo aqui com o G7 nas últimas 48 horas”, disse Collins. 

Para moradores de países da África subsaariana, por exemplo, 40% do consumo corresponde a alimentos, afirmou Gopinath. Além de um “grande impacto no custo de vida”, as altas de preços também intensificaram o armazenamento por parte dos governos. 

“Temos mais de 20 países que impuseram restrições a exportações de alimentos e de fertilizantes, e isso pode agravar o problemas e só piorar as coisas”, disse a economista na segunda-feira. 

A invasão da Ucrânia pela Rússia, que é descrita por Moscou como uma “operação militar especial”, levou a um aperto repentino em uma crise que já estava encaminhada. 

“Já estávamos enfrentando uma crise alimentar extraordinária antes da Ucrânia, os custos de transportes, preços de commodities e alimentos já estavam dobrando, triplicando, quadruplicando”, afirmou David Beasley, diretor-executivo do Programa Alimentar da Organização das Nações Unidas. 

O número de pessoas “a caminho da fome” cresceu de 80 milhões para 276 milhões nos últimos quatro ou cinco anos, afirmou Beasley à Reuters em uma entrevista em Davos. 

“Manter os portos fechados enquanto a temporada de colheita está chegando na Ucrânia em julho e agosto significa declarar guerra à oferta global de alimentos”, disse Beasley. 

(Reportagem de Jessica DiNapoli, Dan Burns e Divya Chowdhury)

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