O criador do OpenClaw, ferramenta de inteligência artificial que pode trabalhar de maneira autônoma e está agitando a China, assegurou que em 2026 será o ano destes agentes, capazes de executar com facilidade tarefas do dia a dia.
“Este é o ano dos agentes”, disse Peter Steinberger, o programador austríaco que criou a ferramenta, em uma entrevista à AFP.
Ao contrário dos chatbots como o ChatGPT, o OpenClaw é capaz de responder de forma autônoma a e-mails, alimentar contas de redes sociais ou reservar uma passagem de avião.
“No entanto, ainda há coisas que precisamos fazer para melhorá-la”, afirmou nesta segunda-feira (30) em Tóquio, durante um encontro com entusiastas deste novo sistema.
Após baixado, o aplicativo OpenClaw pode se conectar a modelos de IA (como o Claude ou o ChatGPT) e receber instruções simples.
Jensen Huang, o CEO da Nvidia, a empresa com a maior capitalização de mercado do mundo, afirmou que a ferramenta, cujo símbolo é uma lagosta vermelha brilhante, é “o próximo ChatGPT”.
Mas também há dúvidas sobre os riscos de segurança envolvidos em permitir que sistemas de IA vulneráveis acessem dados pessoais, como informação bancária.
Steinberger criou o OpenClaw em novembro, enquanto experimentava ferramentas de programação de IA em uma tentativa de organizar sua vida digital.
Desde então, foi contratado pela OpenAI, criadora do ChatGPT, “para impulsar a próxima geração de agentes pessoais”, disse em fevereiro o chefe da startup americana, Sam Altman.
“O que é preciso ter em conta sobre o OpenClaw é que ele não poderia ter surgido daquelas grandes empresas”, disse Steinberger à AFP.
“Estas empresas teriam se preocupado demais com o que poderia dar errado. Eu só queria mostrar às pessoas que estive no futuro”, afirmou.
– Passo horas com a “lagosta” –
Enquanto os gigantes tecnológicos estudam como utilizar a IA nas empresas, a próxima inovação poderia vir de “alguém que só quer se divertir”, assegura Steinberger.
No evento realizado nesta segunda-feira em Tóquio, chamado ClawCon, muitos dos centenas de participantes estavam fantasiados de lagosta e houve demonstrações com ajuda de especialistas.
Na China, a ferramenta está causando exaltação.
“Desde janeiro, passo horas com a ‘lagosta’, todos os dias”, disse o empresário chinês Frank Gao, que costumava passar muito tempo gerindo suas contas nas redes sociais, mas que agora deixa tudo nas mãos do agente de IA.
“Se o considerarmos como uma competição, parece que a China está ganhando muito impulso”, afirma Steinberger.
O sucesso do OpenClaw na China levou as autoridades a emitirem alertas sobre os possíveis riscos de cibersegurança.
Steinberger reconhece que a questão o preocupa, mas afirma: “Se você constrói um martelo, pode se machucar. Então, deveríamos parar de fabricar martelos?”.
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