Publieditorial

Cresce número de jovens empreendedores no Brasil

Subiu de 50% para 57% a participação de pessoas entre 18 e 34 anos que têm negócios em fase inicial em 2017

Crédito: Shutterstock

Ter a perspectiva de uma carreira profissional em empresa ou no serviço público parece que está deixando de ser o sonho dos jovens brasileiros. Eles estão querendo, cada vez mais, a independência se tornando empreendedores desde cedo. Essa é uma das principais descobertas da pesquisa GEM 2017, do Sebrae/IBQP, que revela o novo perfil do empreendedor no País. Ela aponta que, no ano passado, a participação de pessoas entre 18 e 34 anos no total de empreendedores em fase inicial cresceu de 50% para 57%. Isso significa que são nada menos que 15,7 milhões de jovens atrás de informações para abrir um negócio ou com uma empresa em atividade no período de até 3 anos e meio. Outro dado interessante que a pesquisa mostra é que também aumentou o percentual de pessoas que buscam empreender por oportunidade, saltando de 57% para 59% dos entrevistados.

“O jovem brasileiro já entendeu que para ter trabalho a melhor alternativa é criar o próprio emprego, é empreender, inovar e gerar novas vagas. E eles não empreendem por necessidade, estão de olho nas oportunidades do mercado, estão atendendo demandas sociais e movimentando a economia. Aliás, este resultado é um refl exo também do início da recuperação da nossa economia”, destaca o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos.

Segundo o estudo, a taxa total de empreendedorismo (TTE) no Brasil foi de 36,4%. Em números absolutos o contingente de empreendedores no Brasil chega a quase 50 milhões de pessoas.

 

Ela foi à luta

Aos 23 anos de idade, Analice Furtado era recepcionista de uma academia. Mas esse trabalho não a seduzia. Dessa forma, iria demorar muito para alcançar a independência financeira, se é que iria conseguir. Pois, não teve dúvidas: procurou o Sebrae para buscar informações e sugestões. “Foi quando decidi abrir a empresa”, conta a jovem empresária, que hoje é dona de um salão de beleza junto com a sua mãe. Mas Analice não parou por aí e buscou se aprimorar. “Fiz vários cursos e depois resolvi fazer faculdade na área de estética”, acentua ela, que assim vai consolidando seu negócio.

Gustavo Chamma, cofundador da Synco

DNA empreendedor

Diferente do que parece ser uma regra no mundo das empresas familiares, nas quais os fi lhos assumem os negócios dos pais, Gustavo Chamma optou por empreender sozinho, desde os 17 anos de idade. E foi esse DNA empreendedor que o levou atualmente, aos 31 anos, a ser cofundador da Synco, uma startup de Internet das Coisas, ao lado do sócio André Gurgel. “Já aos 8 anos, visitava as fábricas da família nos fi s de semana e adorava ver a produção funcionar. Pra mim era diversão”,  diz Chammas. A Synco tem 4 desenvolvedores e escritórios em São Paulo e Natal. “O Sebrae abre portas e avalia o seu negócio
com profissionalismo, te ajuda levar a empresa para outro nível”, acentua ele, que segue alguns mantras: “barco sem leme não chega em lugar nenhum”; “trabalhe com pessoas que acreditam em você mais do que você mesmo”; “aprenda, aprenda e aprenda com os melhores do mercado”.

De cada 100 brasileiros e brasileiras adultos (18 – 64 anos), 36 deles estavam conduzindo alguma atividade empreendedora, quer seja na criação ou aperfeiçoamento de um novo negócio, ou na manutenção de um negócio já estabelecido. Ou seja, um terço dos adultos brasileiros é empreendedor ou está envolvido na abertura do próprio negócio. Outras revelações apontam que jovens na faixa etária entre 25 e 34 anos foram mais ativos na criação de novos negócios. Para se ter ideia de como esse dado é expressivo, isso significa que 30,5% dos brasileiros desta faixa etária estão tentando criar um negócio ou já detêm uma empresa com até 3 anos e meio de vida, período considerado estágio inicial do empreendimento ainda. Na faixa etária mais jovem, entre 18 e 24 anos, também é expressivo o percentual de brasileiros empreendedores (20,3%) envolvidos com a criação de novas empresas.

Com 24 milhões de empreendedoras, as mulheres rivalizam com os homens no total e são maioria entre os jovens empreendedores

Oportunidade x necessidade Segundo o analista de Gestão Estratégica do Sebrae, Marco Bede, em 2017, houve um pequeno crescimento no número de empreendedores por oportunidade relativamente aos empreendedores por necessidade. “Em 2016, para cada empreendedor inicial por necessidade, havia 1,4 empreendedores por oportunidade, em 2017 essa relação foi 1,5”. Ou
seja, 59,4% dos empreendedores iniciais empreenderam por oportunidade e 39,9% por necessidade, aponta o estudo. E é importante notar que o empreendedorismo por necessidade continua muito acima dos patamares registrados em 2014 (29%).

No grupo das brasileiras adultas, a Taxa de Empreendedores Iniciais (TEA) chega a 20,7%, enquanto que no grupo dos brasileiros adultos, essa taxa é de 19,9%. Porém, quando se olha os números totais, que inclui os empreendedores iniciais e os empreendedores estabelecidos, elas estão praticamente empatadas com os homens, com quase 24 milhões de empreendedoras,
contra 25,4 milhões de homens empreendedores, segundo a definição de empreendedorismo o GEM.

E quando se trata de nível de escolaridade, o que chama a atenção é o fato de que entre os empreendedores iniciais, o grupo mais ativo, aquele com maior taxa de empreendedorismo (23,9%) é o que tem apenas o ensino fundamental completo, uma taxa que é 10 pontos percentuais acima da taxa verificada no grupo de pessoas com nível superior. Um número que salta aos olhos também dá conta de que quase 8 milhões de empreendedores estabelecidos não completaram o ensino médio. “Como contraponto, porém, entre este mesmo grupo de empreendedores, 2 milhões têm ensino superior completo”, destaca Bede.