Crédito rural: desembolso no plano safra 2025/26 até janeiro recua 12,5%

Brasília, 12 – O valor desembolsado no Plano Safra 2025/26, iniciado em 1º de julho de 2025, alcançou em janeiro R$ 207,88 bilhões em financiamentos para pequenos, médios e grandes produtores, conforme levantamento realizado pelo Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Os dados foram coletados no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor/BCB) do Banco Central. O montante desembolsado nos primeiros sete meses do plano agrícola e pecuário corresponde a 51,2% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões, sem incluir CPRs.

O valor ficou 12,5% abaixo do desembolsado para produtores em igual período da safra 2024/25, de R$ 237,42 bilhões. Até o fim de janeiro, foram realizados 1,452 milhão de contratos em todas as modalidades, 5,5% mais que o total registrado em igual período da temporada anterior, de 1,377 milhão de contratos. Na safra atual, observou-se menor desempenho do crédito oficial desde o primeiro mês da temporada.

O primeiro semestre da safra costuma ser um dos períodos de maior desembolso de crédito rural em virtude das contratações dos produtores de financiamento para a nova safra. Produtores, entretanto, estão retraídos na demanda por novos financiamentos dada a conjuntura adversa do setor e dos juros elevados e agentes financeiros mais seletivos na concessão de crédito, em virtude do elevado nível de endividamento do setor agropecuário.

Levantamento mais recente do Ministério da Agricultura aponta para R$ 284,08 bilhões liberados no primeiro semestre da safra para agricultura empresarial, até dezembro, incluindo recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas – CPRs de produtores financiadas pelos bancos a partir de recursos captados pela emissão das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Considerando os R$ 121,9 bilhões liberados via CPRs de julho a dezembro, há aumento de 3% no desembolso da safra na agricultura empresarial ante o ciclo anterior.

Modalidades e programas

Os financiamentos para custeio somaram R$ 117,185 bilhões em desembolso de julho a janeiro, 13,3% abaixo de igual período do ano-safra anterior, em 491.869 contratos. O valor concedido nas linhas de investimento foi de R$ 50,316 bilhões no período, 22,5% menos que na temporada passada, em 951.328 contratos. As operações de comercialização atingiram R$ 19,663 bilhões (queda de 13,7%), em 7.037 contratos, e as de industrialização totalizaram R$ 20,716 bilhões (alta de 42,6%), em 1.281 contratos, em seis meses da safra.

No período, 1,214 milhão de contratos de crédito foram firmados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), alcançando R$ 42,306 bilhões ao fim de janeiro, recuo de 0,86% ante o ano-safra anterior. No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram registradas 134.138 operações, totalizando R$ 42,299 bilhões nos sete meses do ano-safra, queda de 3,35% em um ano. Outros 103.437 contratos foram realizados por grandes produtores, o que correspondeu a R$ 123,274 bilhões em financiamentos de julho a janeiro na safra 2025/26, retração de 18,4% em relação a igual período do ano passado.

A região Nordeste reportou o maior número de contratos realizados no primeiro semestre da safra, com 734.932 operações, com R$ 20,739 bilhões financiados. Na sequência, consta o Sul, com 342.408 contratos, e maior valor contratado, de R$ 68,255 bilhões. O Sudeste registrou 230.702 operações de crédito rural de julho a janeiro, somando o total de R$ 57,123 bilhões. No Norte, foram firmados 74.050 contratos, alcançando a liberação de R$ 14,573 bilhões. No Centro-Oeste, foram reportadas 69.423 operações, somando R$ 47,190 bilhões. O valor médio por contrato na base nacional foi de R$ 143,215 mil ao fim dos sete meses do ano-safra atual, queda de 17% ante igual período da temporada passada.

Em relação às fontes de recursos do crédito rural, R$ 70,203 bilhões foram provenientes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) a taxas livres e controladas. As LCAs continuam como a principal fonte do crédito rural oficial na safra 2025/26. Na sequência, aparecem os recursos obrigatórios respondendo por R$ 45,019 bilhões. Outros R$ 48,886 bilhões de julho a janeiro deste ano foram provenientes dos recursos da poupança rural controlados e livres.

No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para agricultura familiar, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores. Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas. No total, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões.