Esportes

Craque do vôlei sentado, Giba festeja tetra e relembra encontro com xará olímpico

Entre o final dos anos 90 e início dos 2000, uma menina enviou uma carta a Galvão Bueno sugerindo que ele dissesse “Giba neles!” nas transmissões quando o então principal jogador da seleção brasileira de vôlei marcasse ponto. O bordão pegou e marcou a vida de Giba a ponto de se tornar o título de sua biografia.

Mas o tempo passa, diria outro narrador, a fila anda e por direito adquirido outro atleta considera também seu o termo criado para o colega de profissão. Giba é também o apelido do craque da seleção de vôlei sentado, que faturou a medalha de ouro no Parapan de Lima. Foi a quarta conquista consecutiva na competição. A quarta com vitória sobre os Estados Unidos na final. Na capitão peruana, foram 3 sets a 0 – com parciais de 25/18, 25/22 e 25/12.

O xará do ex-jogador das quadras foi o destaque da decisão com 14 pontos anotados. “Coroou uma comissão nova, um projeto novo. Falava sempre para os meninos: tenho três medalhas de ouro e para mim não tenho nenhuma. Viemos para Lima com a equipe desentrosada, com vários problemas e falei para eles: não adianta depois chorar, vamos fazer o melhor. Graças a Deus deu tudo certo e agora vamos comemorar”, disse.

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Giba defende o Brasil no vôlei sentado desde os Jogos do Rio-2007, ano em que teve o único encontro com o parceiro de bordão. Eles são contemporâneos. O do esporte paralímpico tem 40 anos, enquanto que o ex-atleta olímpico é somente dois anos mais velho, mas aposentado das quadras desde 2014.

“Foi muito legal. Na época o Giba jogava pelo Pinheiros que tinha um timão. Fui lá assistir a partida e ficamos conversando. Ele perguntou se o apelido tinha relação com meu nome. Disse que sim, sou Gilberto. Ele foi muito simpático, muito gentil, mas depois nunca mais nos encontramos e seguem falando para mim Giba neles”, disse.

VOLTA POR CIMA – Giba quase ficou de fora da competição em Lima. No final do ano passado, ele perdeu o genro, vítima de um acidente de moto. O garoto tinha 26 anos e estava casado com a filha do jogador havia 30 dias. “Era um moleque que eu amava muito, como um filho. Estava muito para baixo. Engordei 20 quilos”, comentou.

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Coube ao técnico da seleção brasileira, Célio Mediato, telefonar ao astro da equipe e ajudá-lo a superar a perda. “Falei de início que não queria voltar, estava muito desanimado. A comissão técnica disse que não podia ficar daquele jeito, que precisavam muito de mim, que havia muitos garotos na seleção… E acabei aceitando”.

Quando acabou a partida da decisão, Giba foi cercado e abraçado por toda a equipe. “Fiquei muito emocionado, vieram me parabenizar. Graças a eles que a gente continua”, afirmou. Animado com o tetra e com a família nas arquibancadas em Lima, ele acredita que ainda aguentará mais um ciclo. “A ideia inicial era parar em Tóquio, mas o treinador já pediu para seguir até o Paris-2024. Vamos ver, vou me cuidar”.

ATROPELADO POR UM TREM – O início da trajetória como ídolo do vôlei sentado começou em 2004, depois de ele ter sido atropelado por um trem. “Fui cruzar a linha, um caminho que fazia todo dia e não olhei para o lado. Me pegou de frente e fui arremessado. Estou vivo por um milagre. Perdi só um pedaço da perna direita”, contou.

Por ter ganhado mais uma chance na vida, saiu do hospital confiante de que a vida de motoboy que levava mudaria da água para o vinho. E foi o que aconteceu. Por indicação de um amigo conheceu o projeto de vôlei paralímpico que existia em Barueri, próximo a Carapicuíba, região onde sempre viveu. “Nunca tinha jogado vôlei. Só futebol mesmo. Mas quando joguei pela primeira vez me animei”.

A primeira medalha conquistada nessa nova carreira ele guarda acima de todos os ouros dos Parapans e também dos dois títulos mundiais. “Fui bronze no Estadual em 2005 e eleito melhor jogador. Foi o começo de tudo. Guardo com o maior carinho para lembrar sempre onde tudo começou”, disse.

O tetracampeão do Parapan agora volta ao Brasil e com a meta de perder 20 quilos. Atualmente, ele joga pelo Corinthians e treina diariamente no Centro de Treinamento do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). “Vou me cuidar e agora logo mais estamos em Tóquio”.

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