Após a divulgação de uma lista com igrejas e pastores alvos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) manteve o embate público com o pastor Silas Malafaia e citou a Assembleia de Deus do Amazonas como outra instituição religiosa na mira do colegiado. A igreja e a Fundação Boas Novas têm vínculos com familiares do deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), líder da bancada evangélica na Câmara.
Ao jornal O Globo, nesta quinta-feira, 15, Damares disse que Malafaia deveria “orar” e afirmou que não vai submeter sua atuação parlamentar ao pastor. “O Malafaia precisa orar um pouco. Eu não submeto minhas ações parlamentares a ele. Além das instituições que divulguei, há menções na CPI à Assembleia de Deus do Amazonas, que já forneceu os dados solicitados e aguarda análise do colegiado”, afirmou.
O Estadão tenta contato com Silas Câmara para comentar o caso.
A senadora também afirmou sentir “profundo desconforto e tristeza” diante da eventual participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude contra aposentados do INSS, mas afirmou que a CPI tem o dever constitucional de apurar os fatos “com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.
O embate entre Damares e Malafaia teve início no domingo, 11, quando a senadora disse, em entrevista ao SBT News, que havia igrejas e líderes religiosos citados em investigações sobre fraudes contra aposentados. “Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: ‘Não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes'”, disse.
A declaração provocou reação de Malafaia, que, na quarta-feira, 14, classificou a fala da senadora como “conversa fiada”. Pouco depois, Damares divulgou uma lista de requerimentos da CPI, com pedidos de quebra de sigilo de instituições religiosas e convites para a oitiva de pastores.