Semanal

CPI dá habeas corpus para a mentira

Crédito: Agência Senado

O general Eduardo Pazuello mentiu desavergonhadamente por dezenas de vezes na CPI da Covid, tanto na primeira sessão realizada na quarta-feira, como na que está acontecendo hoje no Senado. Ele tem ficado à vontade para falar as inverdades de forma impune, como se tivesse um habeas corpus da CPI para mentir.

É fato que o general tem a garantia do HC concedido pelo ministro Ricardo Lewandowski autorizando-lhe a não produzir provas contra si, embora a decisão do magistrado do STF não o libere para faltar com a falar a verdade quando se trata sobre as ações criminosas de terceiros, como é o caso das omissões e negligências do presidente Bolsonaro.

A desfaçatez do ex-ministro é tanta que deveria mesmo sair preso da comissão. Os senadores, no entanto, preferem dizer que enviarão as contradições do general para o Ministério Público Federal, que tem o poder de responsabilizá-lo pelas falsidades ditas aos parlamentares. Uma das mais graves lorotas que contou foi dizer que o presidente nunca lhe deu ordens para deixar de comprar a Coronavac, do Instituto Butantan, quando todo mundo viu na TV Bolsonaro dizendo que não compraria, de forma alguma, a “vacina chinesa do Doria”.

Afinal, o presidente mandou Pazuello não assinar o contrato de compra da vacina, dizendo que era ele quem mandava. E Pazuello obedecia. Mentiu também ao afirmar que o presidente nunca o obrigou a recomendar a cloroquina, além de outras barbaridades, como as que se isentou de culpa na crise do oxigênio em Manaus.

A mesma linha de mentiras sem punição aconteceu durante o depoimento do ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ele afirmou, com a maior cara de pau, que nunca atacou a China. Esse, como não tinha habeas corpus do STF, deveria de fato ter saído preso e isso nem sequer foi cogitado pela CPI. Foi outro a receber o HC para mentir.

O mesmo aconteceu com o ex-chefe da Secom, Fábio Wajngarten, o primeiro grande pinóquio a ter desfilado suas inverdades na comissão. Não saiu preso como queria o senador Renan Calheiros, mas terá suas inverdades também analisadas pelo MPF. Como diz Renan: Wajngarten vai pagar pelo que fez.

A expectativa da sociedade agora é que todos os mitômanos da CPI sejam denunciados no relatório final da comissão de investigação e sejam devidamente punidos por seus crimes.